"Now the Spirit speaketh expressly, that in the latter times some shall depart from the faith, giving heed to seducing spirits, and doctrines of devils; Speaking lies in hypocrisy;having their conscience seared with a hot iron;"1 Timothy 4:1-2

terça-feira, 22 de março de 2011

Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares


O Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) é um tratado entre Estados soberanos assinado em 1968, em vigor a partir de 5 de março de 1970. Atualmente conta com a adesão de 189 países, cinco dos quais reconhecem ser detentores de armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China - que são também os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. [1] Em sua origem tinha como objetivo limitar o armamento nuclear desses cinco países (a antiga União Soviética foi substituída pela Rússia). Nos termos do tratado, esses países ficam obrigados a não transferir essas armas para os chamados "países não-nucleares", nem auxiliá-los a obtê-las. A China e a França, entretanto, não ratificaram o tratado até 1992.
Considerado pelos seus signatários como pedra fundamental dos esforços internacionais para evitar a disseminação de armas nucleares e para viabilizar o uso pacífico de tecnologia nuclear da forma mais ampla possível, paradoxalmente apoia-se na desigualdade de direitos, uma vez que congela a chamada geometria do poder nuclear em nome da conjuração do risco de destruição da civilização.
Estados Unidos, Rússia, França, Inglaterra e China – todos signatários do TNP - possuem 90% das armas nucleares, sendo o restante distribuído entre Índia, Paquistão e Israel.[2

Acordo
Até ao presente, 189 países ratificaram o documento, e nenhum deles se retirou do pacto, exceto a Coréia do Norte, que o fez em 2003.
Os signatários não-nucleares concordaram em não procurar desenvolver ou adquirir esse tipo de arma, embora possam pesquisar e desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos, desde que monitorizados por inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sediada em Viena, na Áustria.

Monopólio
Países com armas nucleares:
██ Estados com Armas Nucleares (TNP) (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA)
██ Estados com Armas Nucleares não TNP (Índia, Coreia do Norte, Paquistão)
██ Estados com Armas Nucleares não-declaradas (Israel)
██ Estados acusados de terem programas de armas nucleares (Irã e Síria)
██ Países que compartilham armas com a OTAN
██ Estados que possuíam armas nucleares anteriormente
Índia, Paquistão e Israel são não-signatários do tratado, mas os dois primeiros já realizaram testes nucleares e acredita-se que Israel tenha armas nucleares.[3] A Índia tem criticado o monopólio nuclear perpétuo que o tratado representa, por dizer que ele legitima as armas existentes, mas não reconhece outras. Em 1991 descobriu-se que o Iraque estava violando o tratado, durante as inspeções da AIEA feitas após a Guerra do Golfo. Em 1994, o país detonou o que chamou de "artefato nuclear pacífico".
Mas o tratado teve seus efeitos. A África do Sul e toda a América Latina abandonaram toda atividade nuclear não-pacífica. Até agora, os inspetores da AIEA foram autorizados a visitar apenas os lugares declarados pelos signatários do tratado. Mas, depois do caso do Iraque, seus poderes foram ampliados, e os inspetores foram autorizados a fazer um trabalho especial nos países que fazem parte do tratado, incluindo pesquisa em lugares que não tinham sido declarado

Crise
Os novos poderes da AIEA provocaram uma crise com a Coréia do Norte em 1993: o país, que tinha se juntado ao tratado em 1985, ameaçou se retirar. Os norte-coreanos iniciaram o período de 90 dias de aviso prévio exigido dos signatários que desejam se retirar, mas foram persuadidos pelos Estados Unidos a suspender esse movimento um dia antes do fim do prazo. De acordo com a AIEA, esse aviso prévio de 1993 não teria validade. Um porta-voz da agência disse à BBC que, do ponto de vista legal, a Coréia do Norte teria que informar a todos os outros signatários e ao Conselho de Segurança da ONU sobre suas intenções de se retirar do tratado, antes que o período de aviso prévio começasse a ter validade.
O programa de energia nuclear do Irã é usado como pretexto para os Estados Unidos alegarem que o país desenvolve capacidade nuclear militar, o que tem provocado tensão crescente no Oriente Médio, apesar das declarações do governo do Irã de que o programa destina-se ao fornecimento de energia e uso científico - não para fins bélicos.
Israel, que desenvolveu tecnologia nuclear suficiente para fabricar armas nucleares, é citado pelo instituto [4] como detentor de capacidade atômica militar. Segundo David Albright, Frans Berkhout e William Walker, autores do livro Plutonium and Highly Enriched Uranium 1996: World Inventories, Capabilities and Policies, em fins de 1995 Israel possuía 460 kg de plutônio, a Índia possuía 330 kg e o Paquistão, 210 kg de urânio altamente enriquecido. Esses estoques estão fora do controle internacional e admite-se que sejam parte dos programas nucleares de cada um desses países.

Revisão do TNP
Entre 3 e 28 de maio de 2010, realizou-se mais uma Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, na sede das Nações Unidas, em Nova York .[5] Em 28 de maio, os países signatários do TNP chegaram a um documento de consenso - o primeiro em dez anos - que inclui a interdição total de armas de destruição em massa no Oriente Médio. O documento final da Conferência prevê planos de ação para cada um dos três pilares do TNP:
  1. Desarmamento;
  2. Controle dos programas nucleares nacionais, e
  3. Utilização pacífica da energia atômica.
O documento de 28 páginas diz também que os Estados Unidos, França, Rússia, China e Reino Unido, as potências nucleares do Conselho de Segurança da ONU, se comprometem a adotar medidas para reduzir seus arsenais de armamentos nucleares e a relatar seus progressos neste sentido. O documento reafirma "a importância da integração de Israel ao tratado e a disponibilização de suas instalações nucleares para visitas da Agência Internacional de Energia Atômica". Na mesma semana, o jornal britânico The Guardian publicou documentos do final dos anos 1970 sobre negociações havidas entre o governo israelense e a África do Sul, para transferência de tecnologia voltada à construção de armas nucleares. O governo israelense negou. [6]
Os países signatários do TNP decidiram também organizar, em 2012, uma conferência internacional "para a qual todos os estados da região estão convocados", que deverá resultar no estabelecimento da zona desnuclearizada no Oriente Médio.[7] O texto se refere a todos os países do Oriente Médio, incluindo o Irã. Porém, o único país citado nominalmente é Israel, que não é signatário do TNP. No dia seguinte, 29 de maio, o governo israelense divulgou uma nota informando que não participará da conferência de 2012 e classificou o documento de "falho" e "hipócrita".[8]


FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_N%C3%A3o_Prolifera%C3%A7%C3%A3o_de_Armas_Nucleares

Missão no ide de Jesus Cristo é vida para milhões.



A Missão Espiritual da Igreja

Quando Jesus ficou diante de Pilatos para ser julgado, ele descreveu a natureza espiritual de seu reino: "O meu reino não é deste mundo. Se o  meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus;  mas agora o meu reino não é daqui." (João 18:36).

Aqueles que saem do "império das trevas" são transferidos para o "reino do Filho" (Colossenses 1:13). Jesus "é a cabeça do corpo, da Igreja" (Colossenses 1:18), e seus súditos gozam de "toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo" (Efésios 1:3).

Os soldados que vão batalhar para avançar a causa deste reino espiritual usam a armadura e as armas espirituais (Efésios 6:10-17;  2 Coríntios 10:3-6) quando buscam cumprir sua missão espiritual. Usando a espada do Espírito, que é a palavra de Deus, servos de Cristo ensinam outros sobre o Senhor e sua graça salvadora (Romanos 1:16; 2 Timóteo 2:2), "…levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo…" (2 Coríntios 10:5). Estes discípulos de Cristo compartilham o plano eterno de Deus "…para que pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor…" (Efésios 3:10-11).

Muitas das tendências erradas das denominações modernas poderiam ser evitadas por um entendimento mais claro da missão espiritual da igreja. É aparente que a igreja do primeiro século dava atenção principalmente aos assuntos espirituais. Jesus não estabeleceu um clube social ou esportivo, e não deu aos homens o direito de modificar ou corromper essa missão espiritual de que ele incumbiu à sua igreja. Nosso papel hoje em dia deve ser estudar e obedecer a vontade de Deus, fazendo tudo de acordo com a autoridade de Cristo (Colossenses 3:17). Enquanto você continua este estudo, leia cada passagem citada com um desejo sincero de entender e aplicar a vontade de Deus em sua vida.
A Obra Espiritual da Igreja
Cristãos trabalhando juntos: As assembléias da igreja são ocasiões para adorar o Senhor e edificar aqueles que participam. Podemos ver claramente a natureza espiritual das atividades das igrejas primitivas. Os santos oravam juntos (Atos 4:31;  1 Timóteo 2:1-2). Eles pregavam o evangelho (Atos 4:33). Eles se reuniam para participar da Ceia do Senhor (Atos 20:7;  1 Coríntios 11:17-34). Os cristãos primitivos louvavam a Deus e edificavam uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais (Efésios 5:19;  Colossenses 3:16). De acordo com a instrução apostólica, os cristãos aproveitam as assembléias no primeiro dia da semana para recolher dinheiro, o qual será usado para fazer a obra de que Deus incumbiu à igreja (1 Coríntios 16:1-2). A Bíblia mostra que cada membro do corpo tem uma parte importante na edificação dos outros irmãos (Efésios 4:11-16).

A missão de ensinamento do evangelho: A igreja, como "coluna e baluarte da verdade" (1 Timóteo 3:15), tem o privilégio e responsabilidade de espalhar o evangelho de Cristo. É abundantemente claro, no Novo Testamento, que esta era a alta prioridade na vida de Jesus e de seus seguidores. Se somos verdadeiramente seus discípulos, essa será também nossa prioridade. A missão da igreja é espiritual.

Os cristãos têm o privilégio de propagar a mensagem de salvação do evangelho. Devemos partilhar da atitude expressada por Paulo: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê…" (Romanos 1:16). É por isso que os cristãos primitivos de Jerusalém foram tão diligentes em seu trabalho (Atos 5:42).

Precisamos primeiro dar-nos ao trabalho. Nossa missão hoje é a mesma que a missão dos tessalonicenses, que levavam diligentemente o evangelho às regiões próximas da Macedônia e Acaia (1 Tessalonicenses 1:8). As instruções que Paulo deu aos coríntios mostram que um propósito significativo de suas reuniões era convencer os incrédulos e edificar os santos (1 Coríntios 14:24-26).

Cumprir esta missão também requer empenho financeiro. As igrejas de hoje podem mandar evangelistas para pregar em outros lugares, como fez a igreja de Antioquia (Atos 13:1-3; 14:26-28). Os evangelistas eram às vezes sustentados pelas igrejas para que pudessem dedicar-se à obra de pregar (Filipenses 4:5-8; 1 Coríntios 9:14-15). Paulo ensinava que o mesmo tipo de apoio financeiro poderia também ser dado aos presbíteros (1 Timóteo 5:17-18). É natural que pessoas que se dedicam à missão de divulgar o evangelho possam sacrificar voluntariamente seus bens materiais para este mesmo fim.

Ensinar toda a verdade: A igreja precisa aceitar sua responsabilidade de ensinar a verdade da palavra de Deus em todas as circunstâncias. Todos os seguidores fiéis de Jesus precisam da mesma convicção que Paulo encorajou a Timóteo, quando escreveu: "Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2 Timóteo 4:2). A igreja que evita alguns aspectos da palavra de Deus porque poderiam ser impopulares ou difíceis das pessoas aceitarem não está cumprindo sua missão.

Corrigir os que erram: A responsabilidade de corrigir e repreender mostra que pregar o evangelho envolve a correção daqueles que estão no erro. O positivismo "Eu estou bem, você está bem" não tem lugar na pregação de Cristo. Quando uma pessoa está em pecado, ninguém tem o direito de dizer "Você está bem assim como está."  A mensagem do evangelho é diferente: os pecadores não estão bem, mas podem ser transformados pelo amor e pela graça de Deus para se tornarem íntegros novamente.

Esta necessidade de corrigir os pecadores inclui a responsabilidade de corrigir os irmãos que recaem no pecado (Gálatas 6:1; Tiago 5:19-20). Uma igreja que verdadeiramente entende sua missão espiritual corrigirá os irmãos que estão no erro para tentar salvar suas almas e manter a pureza do corpo (Mateus 18:15-17; 1 Coríntios 5:1-13). Ler estes textos mostra que às vezes é desagradável obedecer a Cristo. Uma igreja que segue Jesus removerá os pecadores impenitentes do seu meio. Podemos não gostar da linguagem forte que Paulo usa em 1 Coríntios 5:13, mas precisamos lembrar que era o próprio Deus que dava estas instruções para "expulsar" da congregação aqueles que retornavam a uma vida de pecado. Se vamos pregar a verdade, precisamos pregar toda a verdade!
A Obra Material da Igreja
Enquanto a prioridade da obra da igreja é claramente espiritual, há também um aspecto material. Em Atos 4:32-37, os discípulos contribuíram para aliviar as necessidades dos santos. A igreja de Jerusalém ajudou as viúvas pobres de seu meio (Atos 6:1-2). Quando as necessidades dos santos excederam a capacidade da igreja local, outras congregações enviaram dinheiro para ajudá-los (Atos 11:29-30; Romanos 15:25-26;  1 Coríntios 16:1;  2 Coríntios 8:4; 9:1-2;  etc.)  Deste modo, as igrejas mais ricas ajudavam as mais pobres, demonstrando a verdadeira fraternidade do amor que deverá caracterizar as igrejas de Cristo.
Melhoramentos Humanos?
Os complicados sistemas de obras sociais em muitas igrejas modernas não se parecem nem um pouco com a simplicidade do plano do Novo Testamento. Em vez de terem fé para converter o mundo a Cristo, muitas igrejas estão atarefadas convertendo a igreja para se ajustar às expectativas do mundo. Algumas usam apelos a desejos carnais para atrair pessoas ou adquirir fundos. Em nome da religião, algumas usam bandas de "rock" ou outros programas musicais especiais. Outras oferecem festas completas com bebidas alcoólicas e danças. Muitas outras prometem bênçãos materiais e boa saúde para aqueles que se juntarem a suas igrejas. O interesse neste mundo tornou-se tão forte que algumas igrejas parecem mais como organizações sociais do que corpos espirituais. Nunca devemos perder nossa concentração no céu, pensando que podemos corrigir todos os males sociais de um mundo dominado pelo pecado.

Muitas igrejas se enredaram nos negócios da sociedade moderna, procurando colocar seus membros em lugares de poder político ou investindo os fundos da igreja em negócios. Se elas buscam comprar e operar enormes corporações ou operar pequenas empresas, tais como bazares de igreja e balcões de cachorro-quente, estas igrejas estão mostrando claro desrespeito pelo plano que Deus deu. Precisamos ter fé suficiente para estarmos contentes com o fato de que a igreja receba dinheiro da maneira que Deus autorizou (contribuições voluntáriasS1 Coríntios 16:1-2) e o use somente nos modos aprovados por Deus.
Contentes em Fazer o Que Deus Ordenou
Quando seguimos o modelo fornecido pelo Novo Testamento, a igreja será suficiente para fazer a obra e terá fartura de obra para fazer. Não temos necessidade nem permissão para envolver a igreja em outros projetos, organizações e obras, inventados pelos homens. Assim como Deus rejeitou o fogo oferecido por Nadabe e Abiú (Levítico 10:1-7), ele rejeitará obras estranhas que os homens introduzem nas igrejas. Tão certo como o Senhor desagradou-se quando Uzá estendeu uma mão de ajuda para fazer o que lhe parecia direito (2 Samuel 6:1-11), ele não quer nossa "ajuda" para encontrar um modo mais eficaz de fazer sua obra. Em ambos casos de pecados fatais, o problema fundamental foi uma falta em seguir exatamente o que Deus tinha instruído. Se desconsideramos suas instruções, não podemos esperar melhor sorte. "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte." (Provérbios 14:12).

- por Dennis Allan

sábado, 19 de março de 2011

A NATUREZA DO HOMEM .


O homem foi dotado para pensar e formular pensamentos monumentais. E o resultado será sempre a construção e a reconstrução, as contradições, simbioses e as idiossincrasias das idéias.
Vejamos vários pensamentos sobre a natureza do Homem: Escreve São Paulo apóstolos, o grande apóstolo da Igreja Primitiva, escritor, teólogo e Doutor dos Gentios: “Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não porém o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero”. (Rm 7,18-20).
O advogado, escritor de teologia e reformador Francês João Calvino (1509-1564), afirma: “Que a natureza do homem é de total depravação. Sua vontade não é livre, está em escravidão á sua natureza pecaminosa”.
O grande cientista e filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), disse: “É perigoso fazer ver demais ao homem quanto ele é igual aos animais, sem lhe mostrar a sua grandeza. É também perigoso faze-lhe ver demais a sua grandeza sem lhe mostrar sua baixeza. Mas o mais perigoso de tudo é deixá-lo na ignorância de uma e outra coisa. É muito útil representar-lhe ambas”.
O filosófico e escritor suíço Jean–Jacques Rousseau (1712-1778), ficou conhecido no mundo inteiro tanto pela sua obra como também por esse pensamento muito bem colocado: “O homem é bom por natureza, à sociedade é o que corrompe”.
O historiador, artista e poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), “acreditava que Deus criou a natureza e os seres humano para serem bons e maus, resultando no que parece ser uma mistura de ambos”.




PERVERSIDADE: CULPA DOS GENES?



“O coração é falso como ninguém, ele é incorrigível; quem poderá conhecê-lo?” (Jr 17, 9).



O relatório do Departamento de Drogas e Crimes, das Nações Unidas emitido em 2008 dizia: “Em qualquer momento que determinamos, há mais de 10 milhões de pessoas encarceradas ao redor do mundo”. Com alguns detentos são liberados enquanto novos presos são condenados todos os dias, há mais de 30 milhões de prisioneiro ao redor do mundo, em cada ano. Estatística como estas fizeram muitas pessoas trabalharem em favor da reforma prisional e provocaram o reexame das sentenças expedidas.
Para além das explicações sociológicas e daquelas de caráter estritamente individual (psicológicas por excelência), os estudos procuram saber se haveria um motivo mais recôndito - e geral – para os crimes que envolvem crueldade. Se cometer um delito significa freqüentemente fazer uso de força bruta, praticar um ato cruel é diferente: envolve prazer em fazer o mal.
No passado, esse prazer, mais disseminado e livre, serviu para erigir impérios dentro do que seria território da legalidade. Mutilar e esquarteja os inimigos e estupra as suas mulheres era uma forma corriqueira e aceita de exibir a força dos vencedores. O processo civilizatório ajudou a conter a crueldade, limitando-a no mais das vezes ao terreno da criminalidade pura e simples, mas foi incapaz de eliminá-la. Por quê? O que leva, afinal, alguém a infligir dor e tormento a suas vítimas? E por que, na esmagadora maioria dos casos, esses delinqüentes são homens? A explicação pode esta na genética.
Coordenado pela psiquiatra americana Helen Morrison, um grupo de cientistas que estudou por dez anos o corpo e a mente dos serial Killers encontrou evidências de que, ainda no útero, eles teriam sofrido uma mutação no cromossomo Y. Essa transformação ficaria praticamente invisível até a adolescência, quando precipitada pela ebulição hormonal , passaria a determinar um padrão de comportamento de extrema brutalidade e ausência de julgamento moral.
O fato de a mutação ocorre unicamente no cromossomo Y, definidor da masculinidade, explicaria, entre outras coisas por que a História não registra a existência de uma única mulher serial Killer.
É claro que, como ocorre na maior parte dos distúrbios mentais causados pela genética, o meio tem um papel fundamental na construção da brutalidade extrema e perversa. Estudo realizado na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, mostrou que crianças perfeitamente saudáveis podem desenvolver uma agressividade desmedida como resultado da experiência de ter crescido em um lar violento. “O surgimento da crueldade é, muitas vezes, resultado de uma tentativa de desesperada de sobreviver as adversidades”, diz a pesquisadora Leda Cosmides, uma das autoras do trabalho. Outro estudo feito na favela carioca Cidade de Deus revelou, para muitos homens que, ser cruel é sinônimo de “virilidade”, “força”, “poder” e “status”. “Demonstração de frieza e exibição da força física são atitudes que valorizam o indivíduo no grupo”, diz a antropóloga Alba Zaluar, do Núcleo de Pesquisa das Violências na Universidade Estadual do Rio de Janeiro que coordenou o estudo. “Para alguns, a prática de atos cruéis é a única forma de se impor como homem”, afirma. Impor-se como homem por meio da perda de humanidade – eis um paradoxo trágico, ainda mais pela possibilidade de estar escrito também nos genes (1).



“Vivemos entre perversos, sendo nós mesmos perversos”, disse Sêneca (c.4 a.C. 6-5 d.C. ), filósofo e dramaturgo latino.
“O ser Humano é mal por natureza”, afirmou Dr. Hosmany Ramos, ex-cirurgião plástico.



Qual ditador matou mais em todos os tempos?



Em números absolutos, o maior matador foi o ditador chinês Mao Tsé-Tung que mandou nada menos do que 77 milhões de compatriotas para o além. Em percentual relativo o líder mais sanguinário foi general Pol Pot, que assassinou “apenas” 2 milhões de pessoa – um terço da população do Camboja, país que ele foi o primeiro ministro entre 1976 e 1979. Na lista abaixo reunimos os 10 governantes mais assassinos de todos os tempos. A relação tem como critério básico total de mortes causadas pela ação ou omissão de líderes com poderes ditatoriais. Isso inclui desde fuzilamentos no paredão até grandes fomes causadas por uma guerra civil, por exemplo. Os números foram coletados pelo cientista político e historiador americano Rudolph J. Rummel, que escreveu quase duas dúzias de livro com informações sobre casos de “democídio” – o nome que Rummel dá ao assassinato de uma pessoa por um governo. Foram muitos sobre tudo nos últimos 100 anos. “Se enfileirarmos os cadáveres das vítimas democídio no século 20, eles dariam 6 voltas em torno da terra” diz o historiador (2).



Dez maiores matadores tiraram mais de 200 milhões de vidas.



Gêngis Khan – Mongólia – (1162-1227) 4000.000
Kublai Khan _ Mongólia – (1215-1294) 19000.000
Imperatriz Cixi – China – (1835-1908) 12000.000
Leopodo 2º - Bélgica – (1835-1909) 10000.000
Adolf Hitler – Alemanha – (1889-1945) 21000.000
Joseph Stalin – URSS (1879-1953) 43000.000
Hideki Tojo- Japão – (1884-1948) 4000.000
Chiang kai-shek - China e Taiwan (1887-1975) 10000.000
Mao Tsé-Tung – China - (1893-2976) 77000.000
Pol Pot – Camboja – (1925-1998) 2000.000



“Os animais ferozes nunca matam por prazer. Só o homem se diverte com a tortura e a morte de seus semelhantes”, declarou Dr. James Anthony Froude (1818-1894), historiador Inglês.



UM PROBLEMA INSOLÚVEL



“Ora, se vós que sois mais sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos”, disse Jesus Cristo.



Escreve o filósofo e teólogo alemão Dr. Eugen Biser: “Devemos, pois, dar iniludivelmente a preferência àquelas interpretações que tomam o homem com toda a riqueza de suas tensões, e mesmo com todas as antinomias de sua existência”.
O grande Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho (354-430) dizia “ser um homem abismo, mais insondável do que o fundo do mar, inacessível a qualquer outro, unicamente perscrutável ao olhar de Deus”.
“Se abismo significa indevassabilidade, não pensamos então que o coração do homem seja um abismo? Que coisa há mais insondável do que este abismo? Homens podem falar podem ser vistos, quando movem seus membros podem ser ouvidos quando falam: mais seus pensamento que pode devassá-los? O seu coração que pode lançar um olhar? Quem será capaz de perceber o que agita o seu interior, de que ele é capaz em seu íntimo, o que o trama em sua consciência, o que pensa, o que quer ou não quer?” (Cf. Agustinus, in Psalmum 41,13).
Na mesma linha acha-se também a concepção do Doutor Angélico Santo Tomás de Aquino (1225–1274); ela se baseia igualmente nos primeiros ensaios do pensamento cristão primitivo; segundo ele, o homem esta na linha divisória entre a natureza espiritual e corporal, o ponto intermédio pairando entre uma e outra; como tal foge a ser determinado pela percepção. Nicolau de Cusa (1401-1464) luta por conseguir uma visão panorâmica completa da multiplicidade do sentindo do homem; em seus pensamentos supera a idéia tradicional do homem como microcosmo. Para ele, o homem não é apenas o mundo de maneira reduzida, mas também Deus de maneira relativamente humana: logo, um Deus- humano e como tal é tanto infinitude vivida de maneira humana como o coração da realidade criada, que tudo abrange . Ele é isto, ou ao menos pode sê-lo.
Mas é somente nos pensadores da Idade Moderna que encontramos as afirmações decisivas. Assim Pascal vê o homem a tocar os extremos da grandeza e da pequenez; um gigante em confronto com o átomo; um caniço que pensa, e pensando tem conhecimento de sua fraqueza; um ser intermédio, portanto, nem anjo nem animal, que se rebaixa ao animal toda a vez que tenta por própria força alçar-se ao nível de anjo. Escreve Pascal: “Que quimera é então o homem! Que novidade, que monstro, que caos, que motivo de contradição, que prodígio! Juiz de todas as coisas e imbecil verme da terra, depositário da verdade, cloaca de incerteza e erro, glória e escória do universo!” (Pascal, Pensamentos, 434, Ediç. Dif. Europ. do Livr.).
Uma linha, porém, mais pessimista, nos conduz de Sören Kierkgaard (1813-1855) a Frederico Nietzsche (1844–1900). Este vê igualmente o homem como o ser de transição, um laço estendido sobe o abismo entre o animal e o super-homem. Também a seus olhos o homem é uma combinação de algo grande e terrível, sendo que precisamente a tendência humana para a grandeza rasga o abismo daquilo que causa terror.
“O homem é um cabo estendido entre animal e super-homem, um cabo sobre o abismo. Um perigoso andar-para-o-outro lado, um perigoso meter-se-a-caminho, um perigoso olhar para trás, um perigoso arrepiar-se e ficar-se parado. “O que é grande no homem é fato de ser ponte e não meta, o que pode ser amado no homem é o fato de ele ser passagem e declínio” (Cf. Nietzsche, Also sprach Zaratustra I, Vorrede par. 4).



Escreve Dr. Biser: “Uma vez que somente como interpelante obtém novas descobertas de sentido, isto é, uma vez que tem de interrogar, percebe justamente neste ponto, no centro mesmo de suas possibilidades (potencialidade!) uma inamovível dependência. Esta lhe traz á consciência, mais alarme do qualquer ouro ensinamento externo, que, pensar de toda a sua inteligência e poder, ele mesmo não é capaz de dar-se os conteúdos decisivos de suas experiência, a experiência que quando trata de realizar o seu próprio sentido, sempre terá de aprender, perceber, receber e esperar. Esta inamovível dependência de que justamente no aprender, no receber e no esperar atingirá a plena culminância do seu ser homem”.
“Todo homem, entretanto, permanece para si mesmo um problema insolúvel, obscuramente percebido. Em algumas ocasiões, com efeito, sobretudo nos mais importantes acontecimentos da vida, ninguém consegui fugir de todo a esta pergunta. Só Deus dá uma resposta plena e totalmente a esta questão e chama o homem a mais alto conhecimento e a pesquisa mais humilde” (G.S. 21e).
São Pedro Crisólogo (380-451) escreveu sobre o homem: “O teu criador pensou num modo de aumentar ainda mais a tua glória: gravou em ti Sua própria imagem, para que houvesse na terra uma imagem visível do Criador invisível”.
Santo Ireneu (c. 103-202) afirmou: “A glória de Deus é que o homem viva, e a vida do homem é a visão de Deus”.



Conclusão



Seria excelente para o mundo se o ser humano não tivesse a natureza pecaminosa e perversa. O nosso Planeta seria um belo paraíso. No entanto, a verdade sobre a raça humana está ai com todas as realidades tristes e felizes.
Tudo o que já foi dito e escrito sobre o gênero humano tem que ser impacto e regenerado pelo sangue imaculado do Cordeiro de Deus.
Duas coisas tenham em mente: primeira, o equilíbrio da nossa vida pelo Espírito Santo e a experiência do novo nascimento pela fé e graça de Jesus Cristo e a prática de bons frutos do amor de Deus para sociedade.
Segundo, pregar a Boa Nona de Jesus Cristo para salvação das almas e para fraternidade universal.
Todo pensamento para dignidade da pessoa humana se encontra na expressão abissal de São Paulo Apóstolo: “Mas onde avultou o pecado, a graça superabundou, para que, como imperou o pecado, na morte, assim também imperasse a graça por meio da Justiça, para a vida eterna, através de Jesus Cristo, Nosso Senhor” (Rm 5, 20. 21).
O ser humano tomado pela graça, pela fé, pelo amor e pela justiça de Cristo, vence a natureza perversa e ser livra da corrupção social. O nosso objetivo é levar uma conscientização libertadora de todo sistema de pensamentos e práticas escravocratas.
Só no amor, na graça e na verdade de Jesus Cristo somos verdadeiramente livres.



Pe. Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja
Especialista em ciências Social da Religião

TENHA A MENTE DE CRISTO.

A minha crença não exige que todos acreditem do mesmo modo como eu creio. Antes, apenas que eu esteja intrépido, plenamente confiante, no que eu creio. Isto é, em Jesus Cristo. Por então, consequentemente a minha fé poderá assim levar com que a minha crença caia na graça de alguns.
Contrapartida, se eu não crer de fato naquilo que prego, vã torna-se a crença que defendo. Mas, se creio, e consequentemente, vivo as palavras as quais baseiam-se a minha crença, dou testemunho de integridade, logo também de legitimidade ao que creio, pois as palavras estão vivas em mim, e não simplesmente decoradas na minha mente.
É fato, nem todos conseguem ver a verdade que está diante dos seus olhos. Ou melhor, crer piamente naquilo que não se vê. Por consequência, isto acaba por vezes sendo dado como loucura por alguns… Cristo mesmo passou por isso, inúmeras vezes interpretado como “louco” ou ainda “endemoniado” por determinados religiosos e autoridades do seu tempo. Vai ver fosse porque estes próprios nunca conseguiam contestar suas respostas, ou ainda seja porque nunca tinham respostas consistentes às suas perguntas.
Todavia, vejo que alguns irmãos em Cristo confundem “loucura” com loucura de verdade, algo perto de uma espécie de esquizofrenia, ou ainda de um êxtase psico-espiritual induzido. Não minto, no passado não estive muito longe disto. Por isso mesmo, cuido não injuriá-los de alguma maneira, antes tento os ajudar como irmão. Assim, como filho de Deus reconheço que também preciso da ajuda de outros irmãos para continuar crescendo… eis o valor da Igreja.
Portanto, não confundamos a  loucura quanto a sanidade mental comprometida, e a “loucura” quanto aquilo que é tido como incompreensível ou inaceitável. Ao menos, para a primeira opção existe estudos psiquiátricos e cura em alguns casos. E a nossa crença não é doença mental (digo isso em pleno gozo de minha faculdades mentais)!
Antes, a nossa crença, o Evangelho, podemos dizer que se baseia-se em três principais pontos: na fé, no amor mútuo e no BOM SENSO.
Crês nisto?
Graça e paz,
Giovani Mariani
fonte: http://sementedarenovacao.com/

sexta-feira, 18 de março de 2011

DEUS DO IMPOSSIVEL

Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer
O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível
Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim não pode se frustrar
Venha em meu favor
E cumpra em mim teu querer
O Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta e me faz prevalecer
O Deus do impossível
O Deus do impossível

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cataclismo nuclear


A tragédia no Japão nos faz pensar sobre a segurança de usinas nucleares. Não será uma surpresa se, nos próximas meses e anos, depois de ter experimentado um período de discreta simpatia popular por causa das preocupações com a mudança climática, a energia de matriz termonuclear sofrer reveses na opinião pública.

Não sou um especialista na matéria nem tenho uma opinião muito veemente acerca da fissão do urânio, mas arrisco dizer que a primeira providência para que o debate seja produtivo é nos livrarmos de alguns preconceitos.

Comecemos, então, analisando o que ocorreu no Japão. Se o noticiário que li é preciso, a primeira constatação é que estamos diante de um sucesso de engenharia civil. A estrutura das usinas, afinal, suportou bem um terremoto de 9 graus na escala de magnitude de momento (a mensuração inicial de 8,9 foi revista) --energia equivalente a 9,32 teratons de dinamite, ou 600 milhões de bombas de Hiroshima--, o que é algo próximo do pior cenário imaginado para esse tipo de construção. Vale ainda lembrar que o tremor deslocou o eixo de rotação da Terra em cerca de 25 cm e fez a ilha de Honshu, a principal do arquipélago, se mover 2,4 m para o leste. Ou seja, estamos aqui falando de forças numa escala muito além da humana.

Como o diabo mora nos detalhes, as usinas enfrentaram problemas não por causa do tremor propriamente dito, mas sim dos tsunamis, que acabaram inutilizando os vários sistemas de resfriamento dos reatores. Não me parece que seja um problema que os engenheiros não possam resolver, ainda que isso acabe tornando a energia nuclear mais cara. Sou capaz de apostar que, dentro de pouco tempo, as plantas japonesas remanescentes já estarão adaptadas. Eles não têm opções de sobra por ali.

Embora essas minhas declarações iniciais possam ser interpretadas como uma defesa da matriz nuclear, reitero que tenho dúvidas. Afinal, é sempre possível imaginar um tremor ainda mais forte, ou cujo epicentro se localize mais perigosamente próximo à usina. E movimentos sísmicos não são o único risco da operação, como o provam Three Mile Island e Tchernobil.

Quanta segurança devemos exigir para considerar o sistema seguro? Devemos ou não, como o incorrigível Mahmoud Ahmadinejad, seguir apostando na energia atômica?

A dificuldade em discutir racionalmente a questão nuclear tem origem neurológica, como mostram os trabalhos dos especialistas em avaliação de risco Paul Slovic e Melissa Finucane. No mundo real, o benefício de uma tecnologia e os perigos a ela intrínsecos são variáveis que tendem a estar positivamente correlacionadas. Em linguagem mais direta: quanto mais útil, mais arriscado. Nossas mentes, contudo, funcionam ao contrário, correlacionando negativamente as percepções de risco e benefício.

Um experimento de Finucane de 2000 que tinha por tema justamente a energia nuclear é esclarecedor. Ela conseguiu demonstrar que a relação afetiva que temos com um objeto altera a percepção dos perigos que ele acarreta. Assim, se achamos que os benefícios proporcionados pela energia nuclear são altos, tendemos a menosprezar seus riscos, ainda que essa vinculação não tenha amparo lógico. Inversamente, quem não vê utilidade nas usinas atômicas tende a magnificar seu grau de ameaça.

Mais do que isso, manipulando uma das pontas conseguimos alterar as percepções relativas à outra. Se submetermos alguns humanos a informações que enaltecem os benefícios da energia nuclear, fazemos com que eles produzam declarações que minimizam o risco, ainda que não haja conexão causal entre as duas. Quem providenciar nos próximos dias uma pesquisa sobre a segurança nuclear certamente captará esse efeito.

Vale observar que as interferências de uma heurística do afeto não dizem respeito apenas à percepção de risco, mas também a várias outras atividades humanas, notavelmente a política, a religião e o futebol.

Uma explicação possível para isso está no fato de os neurônios se conectarem em redes que podem ser ativadas por contiguidade semântica, interligando ideias, conceitos, impulsos, memórias, sentimentos e emoções. Basta evocar uma palavra de fortes conotações negativas como "perigo" ou "terror" para nos despertar sensações desagradáveis as quais, mesmo que não nos demos conta, influenciam nossas decisões. É o que os psicólogos cognitivos chamam de "priming". E, se temos um sentimento robusto por alguma coisa, modificá-lo exigirá doses cavalares de estímulos (ou argumentos) contrários.

Há mais. Sempre que uma conexão é ativada, ela inibe o acionamento de redes alternativas que possam existir. Uma implicação interessante é que o viés do torcedor (ou do militante, ou do fiel) em favor de seu clube (ou de seu partido, ou de seu Deus) não é necessariamente mau-caratismo. Ele de fato percebe o mundo de forma menos objetiva nessas questões.

Na verdade, há experimentos sugestivos de que a pessoa ativa seu centro de recompensa sempre que deixa de "perceber" um fato desfavorável a sua causa, num mecanismo de reforço não muito diferente do de viciados em drogas. Trocando em miúdos, sentimos prazer sempre que erramos a favor de nosso clube, partido ou Deus.

O leitor apressado a essa altura já está concluindo que a própria noção de debate e troca de argumentos é impossível, diante do solipsismo humano. Menos, menos. A primeira coisa a considerar quando se evocam esses modelos é que eles são apenas modelos, ou seja, simplificações mais ou menos grosseiras da realidade anímica, que nos permitem prever tendências, mas quase nunca dar conta da totalidade dos casos.

Para dar concretude ao que digo: nem todo corintiano deixa de perceber quando nosso beque passa uma rasteira no adversário dentro da área. O que o modelo faz é explicar por que proporcionalmente mais corintianos do que torcedores do outro clube não veem o pênalti. A diferença é, por assim dizer, epidemiológica.

Como esse gênero de fenômeno tende a ter uma distribuição normal, resta que uma parte (pequena) da humanidade é de fato invulnerável a argumentos. A maior fatia tem um sistema forte de inclinações e fidelidades, mas é capaz de dobrar-se ao peso das evidências (ou manipulações), desde que apresentadas de forma convincente. Há um terceiro grupo, também pequeno, que não tem opinião sobre quase nada e muda de posição como uma biruta de aeroporto. São os radicais de centro. Ganham um peso desproporcional nas democracias maduras, em que as preferências políticas costumam estar divididas em dois blocos de tamanhos comparáveis.

Forjar maiorias, entretanto, não é tudo. Há um outro fator que torna os debates importantes. Como mostram Ori e Rom Brafman em "Sway: The Irresistible Pull of Irrational Behavior", a existência de pessoas "do contra" ("dissenters", em inglês) é importante para evitar que caiamos na armadilha da unanimidade (uma das poucas forças capazes de fazer uma pessoa ir contra o óbvio mesmo diante de sua cara). A figura do "dissenter", embora possa produzir fricções de alto custo emocional para todas as partes envolvidas, também costuma levar a maioria a reformular seus argumentos (ou projetos), de modo a responder a objeções percebidas como relevantes. Essa dinâmica fica particularmente clara em situações como a de tribunais colegiados e comissões legislativas. O "do contra" aqui, ainda que possa provocar brigas homéricas, é um elemento fundamental para melhorar a qualidade do trabalho.

Voltando à questão nuclear, o desastre japonês recomenda abandonar essa matriz energética? Ainda que cheio de dúvidas, respondo com um "não". É um "não" estratégico. Agora que boa parte da opinião pública deve se voltar contra a tecnologia, é prudente que algumas vozes se oponham à unanimidade e nos façam pensar duas vezes.

Autor:Hélio Schwartsman, 44 anos, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha.com.

FONTE:JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

COMER BEBER E CASAR É O PENSAMENTO HUMANO.