"Now the Spirit speaketh expressly, that in the latter times some shall depart from the faith, giving heed to seducing spirits, and doctrines of devils; Speaking lies in hypocrisy;having their conscience seared with a hot iron;"1 Timothy 4:1-2

quarta-feira, 6 de maio de 2015

VAMOS PRODUZIR FRUTOS DIGNOS DE ARREPENDIMENTO...


A Videira e Seus Frutos
Uma vez que as uvas eram cultura de subsistência na Palestina, não causa surpresa que o Senhor usasse a videira como um símbolo de seu povo, Israel (veja Salmo 80:8-16; Jeremias 5:10; 6:9; Ezequiel 15:1-8; 19:10-14). As imagens da videira simbolizavam o fracasso de Israel em cumprir as expectativas do Senhor (Oséias 10:1-2). Suas uvas eram selvagens e sem valor, apesar do cuidado do Senhor com sua vinha (Isaías 5:1-7; veja também Jeremias 2:21). Israel fracassou. Mas Jesus é a verdadeira videira, cumprindo o chamado e o destino de Israel (João 15:1, outras referências em João são aqui citadas por capítulo e versículo somente). Temos que ser ramos da videira e como tal temos diversas responsabilidades importantes (veja João 15:1-17).
Produzir Fruto

O quê? A produção de fruto é a principal responsabilidade da videira. Jesus exortou os ramos a produzirem muito fruto (15:8), a deixar esse fruto permanecer (15:16) e advertiu que os ramos infrutíferos seriam arrancados (15:2). Que fruto espera-se que o ramo cristão produza? Primeiramente, justiça. Esta era a qualidade de uva que o Senhor esperava de sua vinha em Isaías 5 (veja Romanos 6:22; Hebreus 12:11; Filipenses 1:11; Efésios 5:9; e Gálatas 5:22-23). O fruto inclui também boas obras (Colossenses 1:10), partilhar as posses com os irmãos necessitados (Romanos 15:28), louvar a Deus (Hebreus 13:15) e ganhar almas (Provérbios 11:30; João 4:36; Romanos 1:13). Qualquer que seja o fruto, ele tem que ser produzido (15:2), em grande quantidade (15:8), e continuamente (15:16).

Conseqüências. Quando Jesus encontrou a nação judia cheia de folhas mas com pouco fruto (figos), ele amaldiçoou-a e ela secou como aconteceu com a figueira (Marcos 11:12-20). Quando Jesus nos encontrar cheios de exibição e curtos de realização, nós também seremos amaldiçoados e queimados (15:2,6). Esta passagem refuta a doutrina da impossibilidade de apostasia desde que ela indica claramente que aqueles ramos que não produzem fruto ou que não permanecem na videira serão destruídos. Por outro lado, aqueles ramos que produzem fruto: ΠGlorificam seu Pai (15:8) que é a meta final da vida cristã (1 Coríntios 6:20; 10:31; Efésios 1:12, 14; 3:21; Filipenses 1:11). Ï Provam ser discípulos de Jesus (15:8). O discipulado não é uma condição estática, imutável, mas um crescente modo de vida. Tornamo-nos discípulos de Jesus mais e mais conforme reproduzimos seu caráter justo em nossa vida. РCumprem o mandado de Deus, o verdadeiro propósito pelo qual ele os escolheu (15:16). Ñ Recebem tudo o que pedem em nome de Jesus (15:16).

Como? Dois elementos permitem a máxima produção de fruto. "Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda" (15:2). Para que mais uvas cresçam, o Senhor poda os ramos, removendo os rebentos inúteis e tudo o que poderia desviar a força vital da produção. A poda é dolorosa, mas necessária porque muitas coisas sugam nossa força e nos impedem de dedicarmo-nos à produtividade. Precisamos de uma boa capina e poda. A outra coisa exigida para produção de fruto é permanecer na videira (15:4). Sem a ligação vital com a videira, o próprio ramo murcha e morre. Isto leva à segunda responsabilidade principal desta passagem.

Permanecer em Jesus

O quê? Permanecer em Jesus é essencial para viver e frutificar. "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (15:4-5). Para produzir fruto precisamos manter uma ligação ininterrupta, uma relação ativa e constante com Jesus.

Conseqüências. Aqueles ramos que permanecem em Cristo produzem muito fruto (15:5), mas aqueles que não permanecem são colhidos e lançados no fogo (15:6). A verdade é que"sem mim nada podeis fazer" (15:5). Separado de Jesus, não posso fazer nada para melhorar minha alma nem minha relação com Deus. Muitos tentam andar sós, pensando que sua bondade e discernimento produzirão fruto sem se apoiar no Senhor. Mas somente através de Jesus somos capazes de cumprir a justiça e a verdade que o Senhor espera que produzamos.

Como? Jesus permanece em nós através de suas palavras: "Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós..." (15:7). Alguns buscam divorciar Jesus do que ele diz e procuram uma relação com ele sem prestar cuidadosa atenção à palavra dele. Eles dependem de sentimentos, emoções e experiências. Mas, de fato, Jesus mora em nós somente até o ponto em que sua palavra e seus ensinamentos permanecem em nós. Precisamos lembrar-nos constantemente do que Jesus disse e meditar nisso de modo que ele possa viver poderosamente em nós. O outro modo pelo qual Jesus permanece em nós é ao guardarmos os seus mandamentos: "Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço" (15:10).

Guardar Seus Mandamentos

O quê? A coisa especial sobre a obediência que Jesus manda é o padrão que ele estabeleceu para nós, sua própria obediência ao Pai (15:10). Ele sempre agradou ao Pai, não a si mesmo (8:29); agiu pela iniciativa do Pai, e não pela sua própria (8:42); fez a vontade do Pai, não a sua própria (5:30; 6:38); disse as palavras do Pai, não as suas próprias (8:28; 12:49; 14:10); seguiu a programação do Pai, e não a sua própria (2:4; 12:23,27; 13:1). Se obedecermos como ele obedeceu, nós sacrificamos nossos próprios modos e idéias e nos submetemos completamente ao que o Pai escolheu.

Conseqüências. Se guardarmos os mandamentos de Jesus, então permaneceremos em seu amor: "Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço" (15:9-10). É admirável refletir no fato que o seguidor de Cristo pode gozar da mesma intimidade de que Jesus goza com seu Pai. Afirmações como esta podem ser facilmente olhadas e passadas por cima, mas essa é uma das mais estarrecedoras afirmações da Bíblia. Outra benção ligada com a guarda dos mandamentos do Senhor é plena alegria. "Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo" (15:11). Jesus conhecia a alegria de agradar a Deus e sabia que nossa alegria depende de nossa obediência ao Pai. Muitos pensam que os mandamentos de Deus são indevidamente restritivos e que o Senhor estava buscando nos privar de todos os prazeres. A verdade é, contudo, que o Senhor que nos criou sabe como funcionamos melhor e sabe que nossas maiores alegrias virão quando obedecermos a Cristo de todo o coração. Uma bênção final é que Jesus nos trata como amigos e não como meros escravos. "Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (15:14-15). Um senhor daria somente ordens a um escravo, mas Jesus, como o senhor amoroso, realmente partilhava seu coração com seus amigos explicando seus planos e propósitos e dando a seus seguidores discernimento de seu pensamento.

Como? Jesus identificou um mandamento chave que precisamos guardar: "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (15:12; veja 15:17).

Amar Um ao Outro

O quê? O mandamento para amar os outros é tão antigo quanto Levítico 19:18. PorJoão, o mandamento de Jesus para amar um ao outro foi um novo mandamento: "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros" (13:34). A novidade do mandamento de amor é o novo padrão de amor: o amor que Jesus tinha pelo seu povo. Este é um amor que é maior do que qualquer um que jamais existiu sobre a terra. Precisamos imitar Jesus no modo como amamos os outros.

Conseqüências. Jesus não menciona as conseqüências do amor em João 15, mas João o fez em sua primeira epístola. Amar os irmãos é uma matéria de luz e trevas, de vida e morte e de conhecer Deus e não conhecê-lo (1 João 2:9-10; 3:14; 4:7-8). De fato, sem amor fraternal não se pode amar a Deus (1 João 4:20).

Como? Entender como amar os outros como o Senhor nos ama exige um exame da natureza do amor do Senhor pelos homens: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (3:16). Considere estes aspectos do amor do Senhor: 1. Ele se estendia ao mundo. O amor de Deus abrangia todos; não havia exceções. Quando buscamos imitá-lo precisamos amar todos os irmãos. 2. Ele sacrificava o que era mais importante. Nenhum dom nem sacrifício poderiam ter sido maiores. Precisamos deixar prontamente confortos, conveniências, direitos, posses e nossa própria vontade para servir a outros. 3. Ele buscava os melhores interesses daqueles amados. Deus nos amou e deu seu Filho para que pudéssemos ter vida eterna. O verdadeiro amor não é frouxa indulgência, mas uma vontade de tomar decisões duras para o bem-estar espiritual de outros. 4. Jesus amou seus discípulos consistentemente, até o fim (13:1). Amar um ao outro não seria tão difícil se pudesse ser uma coisa ocasional, espasmódica. Mas, de fato, temos que nunca parar de amar nossos irmãos.

Conclusão

Em Cristo, a videira, temos que cumprir seu propósito frutificando, permanecendo nele, guardando seus mandamentos e amando um ao outro.

Autor: Gary Fisher
Fonte:http://www.estudosdabiblia
Pastor João Nogueira De Lima

sábado, 4 de abril de 2015

Sacramentos Bíblicos à Luz das Escrituras


Sacramentos e Clericalismo:
Sacramentos Bíblicos à Luz das Escrituras

por
Rev. Moisés C. Bezerril
 
Minha metodologia não consistirá em construir uma teologia em cima de rumos históricos-sociais que por acaso a igreja venha a tomar devido a multiforme coloração do fenômeno social universal através da história, pois se assim procedermos teremos uma Bíblia para cada época da história da humanidade, e seu conteúdo será determinado pela inconstante e turbulenta mutação do fenômeno humano sobre a terra, além do mais não teremos nenhum instrumento aferidor da própria teologia recém formulada porque até mesmo tal instrumento estará superado em algum ponto da história.

Meu procedimento metodológico será adotar confessionalmente as Sagradas Escrituras, a partir de sua exegese, considerando que ela seja imutável em seus princípios espirituais que governam a igreja de Cristo desde o início da expansão do evangelho aos gentios e dos princípios que governam uma igreja característicamente judaico-gentílica.

Portanto nosso paradigma será sempre a revelação de Deus em Sua Palavra.

O que normalmente tem sido proposto, como resultado da repulsa por um certo clericalismo na maneira como a teologia reformada tem apresentado a doutrina da ministração dos sacramentos na igreja moderna é que tais sacramentos não deveriam ser exclusividade de ministros ou presidentes ecelsiásticos, mas que este ato estivesse aberto aos crentes de maneira geral na vida da igreja. Isto, de certa forma, evitaria qualquer forma de clericalismo ou exclusivismos por parte daqueles que os ministram.

Passemos a uma análise do que isto significaria biblicamente, logicamente, e historicamente para a vida da igreja hoje.


UMA OBJEÇÃO INTERESSANTE
Um dos argumentos levantado para a ampliação da ministração dos sacramentos, dando oportunidade à outras pessoas que não são ministros devidamente ordenados é o texto de Mt 18:18-20. Então, argumenta-se, que se Jesus ordenou aos seus discípulos, ou seja, a todos os seus seguidores que haviam crido nele, conclui-se que esta ordem é normalmente para os seguidores de Jesus e não especificamente para o "clero".
Respondendo a este argumento, afirmo que há uma uma grande diferença entre os chamados "irmãos comuns" da atual igreja em debate e os discípulos que conviveram com Jesus. Aqueles discípulos não eram crentes comuns ou equivalentes a qualquer crente de nossa época. Quando eles foram chamados e comissionados para a ministração do batismo, a partir daquele momento eles não eram mais "irmãos comuns", e sim apóstolos, evangelistas e oficiais divinamente comissionados por Jesus. Quem hoje é comissionado daquela maneira? Sabemos com certeza que quando alguém se levanta afirmando tal coisa, logo cai em descrédito com credenciais de falso profeta.

Aqueles crentes foram chamados e comissionados extraordináriamente, enquanto que hoje nós somos chamados ordináriamente. O chamado extraordinário não existe mais.
A continuidade daqueles ministérios é feita hoje de maneira ordinária através de evidências externas confirmadas pela igreja.

Isso indica que se lá teve que haver um comissionamento por Cristo, por Deus, pelos apóstolos, e mais tarde pela igreja, e isto de maneira extraordinária, então hoje, a ministração dos sacramentos deve obedecer sempre a um comissionamento ordinário feito pela igreja.

Não há um só texto nas Escrituras que nos ensine que pessoas não comissionadas ministravam os sacramentos. Vejamos alguns supostos exemplos:


SACRAMENTO DO BATISMO
FILIPE - Diz-se normalmente que Filipe não recebeu qualquer encargo especial para ministrar o batismo do eunuco de Candace, no entanto o fez como um leigo.
Primeiro, a idéia de um encargo para ministrar batismo é algo da nossa época, não da era apostólica. Os que batizavam lá eram comissionados diretamente por Deus, não importando se eram apóstolos ou não. Aliás, as Escrituras não afirmam que só os apóstolos batizavam, mas só os que eram comissionados extraordianriamente por Deus, ou eram indicados pelos apóstolos, aos quais foi dado poder para comissionar também. Uma prova disto é que Barnabé também é chamado de apóstolo juntamente com Paulo, e Lucas em seu registro, não tem nenhum cuidado em explicar que tipo de apóstolo ele era. Filipe foi comissionado por Deus ( Atos 8:26, 39): O anjo do Senhor o chamou e enviou, logo a seguir o Espírito o arrebatou. Eis o seu comissionamento para tal. Não é sábio reivindicar um comissionamento para qualquer crente moderno tendo por base o comissionamento da era apostólica. São duas coisas muito diferentes. Devemos acrescenar que Filipe também era diácono eleito da igreja
ANANIAS - Ananias é outro discípulo comissionado direto pelo Senhor para curar e batizar a Paulo. Ele não era um crente sem comissionamento no meio da multidão que batizava, mas alguém escolhido e chamado por Deus para tal missão, (At 9:10-11,15).
A CASA DE CORNÉLIO - É bem verdade que Pedro estava presente ali, bem como o texto nada afirma que outras pessoas estivessem batizando alí.
ZÍPORA - Quando circuncidou seu filho (Ex 4:25). Sobre ela devemos entender que isto é um exemplo isolado e foi realizado por uma mulher de um temperamento violento e num momento de ira, o que não deve ser imitado pelos crentes


O SACRAMENTO DA SANTA CEIA 


O MODELO PATRIARCAL DE ISRAEL - Argumenta-se que Israel celebrava a páscoa nos lares e os ministrantes eram os pais das famílias, e quando Jesus ordenou que continuassem com o sacramento certamente eles continuaram com a mesma prática.
Este argumento sofre de uma falta de informação teológica muito séria. Israel, desde a instituição da páscoa vivia debaixo de uma teocracia, e que foi nessa época que Deus ordenou a celebração pascoal às famílias. Mas isso era um preceito somente para Israel como o povo exclusivo da revelação e sob a teocracia todas as famílias de Israel foram comissionadas para a ministração dos sacramentos do Velho Testamento (a circuncisão e o cordeiro pascoal). Certamente o costume judaico não foi continuado pelos cristãos da igreja apostólica pelos seguintes motivos:

1) Em Israel predominava a religião da família. Todos sem exceção eram judeus nascidos, ensinados e praticantes na religião revelada. No Novo Testamento esse conceito de religião em família é praticamente esfacelado quando todas as nações são chamadas. Não são famílias que se convertem com a pregação apostólica, mas sim indivíduos. Assim, dificilmente haveria uma instituição do sacramento para ser celebrado em famílias porque somente alguns se convertiam dentro das famílias gentílicas, o que até hoje podemos constatar em nossas igrejas. 1 Coríntios trata de problemas na igreja que nascem exatamente desse alargamento da religião revelada somente aos judeus em direção aos gentios: esposas crentes e maridos incrédulos, maridos crentes e esposas incrédulas (1 Co 7). É impossível falar-se de sacramento em famílias no Novo Testamento ao estilo do Velho Testamento. Certamente este modelo era incapaz de ser continuado a partir de Pentecostes.

2) A Santa Ceia tem aspectos característicos da Nova Aliança. A páscoa era somente para Israel e alguns peregrinos estrangeiros que deveriam ser circuncidados para participarem daquele sacramento. Certamente que a páscoa era o sacramento familiar, daquela família com exclusividade, mas a santa ceia é o sacramento de todas as famílias juntas ao mesmo tempo. Não existe mais aquela exclusividade de Isarel como o povo da promessa, o que era também explicitado pela maneira como eram administrados os sacramentos. Tanto o batismo quanto a santa ceia assinalam para um alargamento da religião de Israel. Certamente a páscoa não foi continuada e sim a ceia, com celebração característica da nova aliança. Dizer que qualquer pessoa na igreja podia ministrar a santa ceia com base na continuidade do modelo pascoal do Velho Testamento é conjecturar teologicamente.

O GRANDE NÚMERO DOS CONVERSOS - Este argumento consiste em dizer que o número de cristãos depois de pentecostes era muito grande para se reunir nos lares e ter os apóstolos sempre com eles. Portanto, certamente que os próprios crentes faziam a celebração daquele sacramento.

A isto respondo que durante aquela época os apóstolos não estavam ainda em missões intinerantes. Eles estavam com o povo todo tempo ensinando-os, até que fossem eleitos os diáconos para auxiliar em tarefas menores que o povo poderia estar fazendo, mas até isso eles achavam que era da alçada dos apóstolos (At 6:1-7). Não duvido que alguém, além dos apóstolos tenha ministrado a ceia naqueles dias, mas certamente se o fez, foi sob comissão extraordinariamente direta de Deus ou comissionados pelos apóstolos. Mas a verdade é que ninguém poderia ocupar uma função tão importante sem uma comissão.

Se celebrar a santa ceia e o batismo fosse algo como ser presidente da UPA ou UMP, ou ser regente de um coral, ou qualquer outra função na igreja que qualquer pessoa poderia desempenhar, então estes sacramentos não deveriam ter um lugar tão especial e tão restrito à pessoas comissionadas e com credenciais divinas de seus chamados. Dessa maneira os sacramentos não deveriam ser ministrado apenas por gente tão bem escolhida. Como posso imaginar que Filipe e Ananias eram crentes comuns se eles participaram da história da salvação


SERIA POSSÍVEL MINISTRAR OS SACRAMENTOS SEM UMA SUPOSTA FORMA DE CLERICALISMO NA IGREJA MODERNA? 

Os sacramentos sempre são tratados nas Escrituras como sendo algo ministrado apenas por pessoas comissionadas. Não está claro nas páginas do Novo Testamento que eles eram ministrados por qualquer um. A igreja hoje, se guia exatamente por este princípio, entendendo que hoje permanece aquele aspecto ordinário daqueles dons e comissões dados aos apóstolos e cristãos do primeiro século (John Owen). Portanto, se eles lá eram comissionados para tal função pela voz do Pai, do Filho e do Espírito, aqui nós somos comissionados pela vocação da Palavra de Deus confirmada e realizada visivelmente pela igreja. Como geralmente se diz que as Escrituras em nenhum lugar afirma que os sacramentos são privacidade dos pastores, deve-se salientar também que em nenhum lugar elas dizem que pessoas sem serem comissionadas devam ministrar-lhes.
No livro de Atos percebemos que a igreja caminhou rumo a uma certa organização que exigia a eleição de determinadas pessoas para determinadas funções. Em todas as áreas de vida e governo da igreja as pessoas não estavam num dispositivo tal que qualquer pessoa pudesse assumir o lugar da outra dentro do organismo eclesiástico. A primeira prova disto é que os dons são dados distintamente a cada um. A segunda prova é que a igreja do Novo Testamento sempre foi conduzida por um certo tipo de “clericalismo” apostólico e profético, sem falar no sacerdote, levita e profeta do Velho Testamento. Só eles eram apóstolos e profetas. O círculo estava fechado. Ninguém mais podia entrar. Dons e funções eram exclusivos deles e de mais ninguém. A igreja sempre conviveu com uma forma de controle de sua própria vida organizacional.

Uma das razões porque os sacramentos são exclusividades dos ministros é devido ao abuso que inevitavelmente nós chegaríamos. Se a igreja deve abrir para outras pessoas ministrarem os sacramentos, certamente que ela não permitirá qualquer um fazer isso quando bem entender. Logo fará uma escolha de alguém que seja capaz para tal função, e mesmo que essa pessoa não seja capacitada para isto, ainda assim a igreja proverá um meio de torná-la capaz para essa tarefa. Mas se ela escolhe e treina, capacitando-a acima dos outros congregados, não estaria ela fazendo já assim uma distinção clerical entre estes “distintos” e os demais “irmãos comuns” e incapacitados? Depois da escolha e do treinamento, inevitavelmente, os "leigos" deixaram de ser "leigos" para serem “clérigos”, pois agora constituem uma classe distinta e especial para um fim especial.

Não é assim mesmo que já procedemos a tanto tempo dando-lhes os nomes de "pastores" ou "ministros"? Não foram elas, pessoas incapacitadas que foram escolhidas e treinadas dentre a multidão?
Uma prova do que estamos dizendo é que na história da igreja, logo em seguida à era apostólica, a igreja sempre conservou uma mentalidade de centralidade episcopal na ministração dos sacramentos. Isto não significava que somente o bispo celebrava, mas também alguém comissionado pelo bispo. Vejamos uma evidência bem perto da era apostólica:

INÁCIO DE ANTIOQUIA ( c. 110)
“Ninguém ouse fazer sem o bispo coisa alguma concernente à igreja. Como válida só se tenha a eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu.(...) Sem a união do bispo não é lícito batizar nem celebrar a eucaristia; só o que tiver sua aprovação será do agrado de Deus e assim será firme e seguro o que fizerdes” (Carta aos Esmirnenses)
Esta mesma idéia é citada por Latourette, em sua História del Cristianismo citando TERTULIANO (c. 220), quando o mesmo orienta a igreja sobre o batismo, afirmando que este sacramento deveria ser ministrado por um diácono ou leigo, mas que fossem indicados pelo bispo.
É correto afirmar que a igreja, desde o início de sua história, sempre teve pessoas que não fossem apóstolos ou bispos, ou pastores ministrando os sacramentos. O erro, porém, está em afirmar que essas pessoas fossem qualquer um, sem distinção nem comissão. Está claro pelos documentos da igreja cristã que os únicos que participavam da ministração dos sacramentos eram pessoas de inteira confiança do bispo, as quais tinham sido escolhidas, treinadas e comissionadas. De qualquer forma, até mesmo de maneira involuntária, essas pessoas terminavam constituindo um certo tipo de “clero auxiliar” ou “clero substituto”, pois jamais seriam confundidos com qualquer um dentro da igreja para tão sublime função. Parece-me que esse seria o procedimento mais correto da igreja ainda nos dias de hoje, a não ser que mudemos completamente a teologia dos sacramentos.

Creio que a única maneira de evitar-se um tipo de “clericalismo” na igreja em relação à ministração dos sacramentos seria abrir para que todos, sem nenhuma exceção, pudesse ocupar o lugar de qualquer outra pessoa dentro da igreja sem nenhuma distinção. Isto certamente é impossível. Portanto o ideal de tornar a ministração dos sacramentos algo ao alcance de todos sem qualquer forma de "“clericalismo” na igreja de hoje, é pura utopia.

NOTAS:
1. GRUDEM, Wayne, SISTEMATIC THEOLOGY, Zondervan
2. BRAKEL, Wilhelmus à, THE CHRISTIAN REASONABLE SERVICE, Soli Deo Gloria, v.III
3. HODGE, AA, THE CONFESSION OF FAITH, The Banner of Truth
4. OWEN, John, THE WORK OF THE SPIRIT, The Banner of Truth
5. GOMES, C. Folch, ANTOLOGIA DOS SANTOS PADRES, Paulinas
6. LATOURETTE, HISTÓRIA DEL CRISTIANISMO, Casa Bautista de Publicaciones 



Fonte: Portal da Igreja Presbiteriana do Brasil. http://www.ipb.org.br/
Este artigo é parte integrante do portal http://www.monergismo.com/. Exerça seu Cristianismo: se vai usar nosso material, cite o autor, o tradutor (quando for o caso), a editora (quando for o caso) e o nosso endereço. Contudo, ao invés de copiar o artigo, preferimos que seja feito apenas um link para o mesmo, exceto quando em circulações via e-mail.
 JORNALISTA: JOÃO NOGUEIRA DE LIMA  MTB 0060712 SP  

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Páscoa Judaica

Gostaria de saber quantos cálices eram utilizados na páscoa judaica e o significado de cada um deles, assim como o molhar o pão junto com o anfitrião.

A Páscoa judaica no tempo em que o Senhor Jesus a celebrou com Seus discípulos consistia de um ritual inexistente quando foi instituída quase quinze séculos antes por Moisés.
Seguiu uma tradição oral antiga, que não consta da Bíblia, portanto temos que nos informar com os rabinos judeus que, entre AD 100 e 210, editaram e compilaram o chamado Misná incorporando os mais antigos comentários rabínicos conhecidos.
Mesmo assim, já haviam decorrido muitos anos e é possível que haja alguma discordância, o que explica algumas diferenças nas minúcias do ceremonial daquele tempo.
Sem ter uma base infalível como a Bíblia para nos ensinar sobre isso, vou me limitar à essência, tirada da explicação dada pelo casal de judeus convertidos Ceil e Moishe Rosen em seu livro "Cristo na Páscoa."
Os participantes reclinavam à mesa, costume babilônico dos homens livres, e servos ou escravos os serviam. A cerimônia incluia abluções e determinadas orações. Era obrigatório beber pelo menos quatro cálices de vinho tinto misturado com água morna, símbolo de alegria e representando o sangue do cordeiro que fora sacrificado e cuja carne era comida.
Para comer, além do cordeiro assado, das ervas amargosas e de pães asmos (sem levedo), símbolo da aflição (Deuteronômio 16:3) mandados por Moisés, havia outros alimentos cerimoniais na mesa. Água salgada ou vinagre era usada para mergulhar as ervas uma só vez, e também usavam uma mistura doce de maçãs e nozes, na qual mergulhavam as ervas e o bocado de pão antes de comer.
A ordem do culto era a seguinte:
1. Oração de consagração da refeição antes do primeiro cálice vinho, recitada pelo anfitrião (Lucas 22:17-18).
2. Primeira lavagem das mãos (João 13:4-5).
3. Mergulho da erva na água salgada ou vinagre, que era então passada por ele a todos os participantes.
4. Vinho é despejado no segundo cálice, depois de removida a comida.
5. Seção de perguntas pelos filhos ao pai sobre o significado da páscoa, quando em família, e lembrança da história do povo desde o chamado de Abraão até a saída do Egito e a entrega da Lei.
6. A comida volta à mesa, o pai continua a falar, explicando os elementos: o cordeiro, as ervas amargosas e os pães asmos que estavam para comer.
7. Canto dos salmos 113 e 114, e o segundo cálice é bebido.
8. Lavagem das mãos pela segunda vez, como ato de respeito pelo pão.
9. O anfitrião parte um dos pães em sinal de humildade, lembrando que os pobres só têm migalhas de pão para comer. Depois dá graças reconhecendo que Deus dá o alimento, e pelo mandamento que o pão não deve conter levedo.
10. O anfitrião dá um pedaço do pão partido, depois de mergulhado em ervas amargosas e mistura doce, a cada um dos participantes (Mateus 26:21, João 13:26, 27b e 30a).
11. A carne do cordeiro é comida (Depois disto, o Senhor outra vez tomou pão, deu graças e deu aos Seus discípulos dizendo: "Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim" Mateus 26:26b; Lucas 22:19; 1 Coríntios 11:23-24).
12. O anfitrião despeja o terceiro cálice de vinho (Lucas 22:20; 1 Coríntios 11:25) e todos recitam a bênção de após-refeição, e cantam um corinho especial para o vinho no terceiro cálice, e todos bebem
13. Os salmos 115 a 118 são recitados, e todos bebem o quarto cálice.
14. Encerramento com um cântico ou hino (Mateus 26:30).
É de se notar que as palavras do Senhor Jesus eram chocantes: "isto é o Meu corpo" e "este é o novo testamento do Meu sangue", e que, ao interromper a ordem do ritual, no fim, Ele estava quebrando o costume de não se comer mais nada depois de comida a carne do cordeiro.
Com a Sua autoridade, Ele estava introduzindo uma comemoração inteiramente nova, aproveitando os símbolos usados na Páscoa, que representavam a Sua própria morte.
Os Evangelhos somente mencionam o primeiro e o terceiro cálice, que eram considerados os mais importantes na páscoa dos judeus de acordo com sua antiga tradição. O primeiro era especial porque consagrava todo o ritual que se seguia. O terceiro tinha dois nomes: "Cálice de Bênção", porque era bebido depois da "bênção", e "Cálice de Redenção" porque representava o sangue do cordeiro pascal. São os nomes mencionados em 1 Coríntios 10:16 e Mateus 26:28.

R David Jones

JORNALISTA: JOÃO NOGUEIRA DE LIMA  MTB 0060712 SP  

terça-feira, 31 de março de 2015

Verdades e Mitos sobre a Páscoa


* Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Nesta época do ano celebra-se a Páscoa em toda a cristandade, ocasião que só perde em popularidade para o Natal. Apesar disto, há muitas concepções errôneas e equivocadas sobre a data.

A Páscoa é uma festa judaica. Seu nome, “páscoa”, vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”, uma referência ao episódio da Décima Praga narrado no Antigo Testamento quando o anjo da morte “passou por cima” das casas dos judeus no Egito e não entrou em nenhuma delas para matar os primogênitos.

A razão foi que os israelitas haviam sacrificado um cordeiro, por ordem de Moisés, e espargido o sangue dele nos umbrais e soleiras das portas. Ao ver o sangue, o anjo da morte “passou” aquela casa. Naquela mesma noite os judeus saíram livres do Egito, após mais de 400 anos de escravidão. Moisés então instituiu a festa da “páscoa” como memorial do evento. Nesta festa, que tornou-se a mais importante festa anual dos judeus, sacrificava-se um cordeiro que era comido com ervas amargas e pães sem fermento.

Jesus Cristo foi traído, preso e morto durante a celebração de uma delas em Jerusalém. Sua ressurreição ocorreu no domingo de manhã cedo, após o sábado pascoal. Como sua morte quase que certamente aconteceu na sexta-feira (há quem defenda a quarta-feira), a “sexta da paixão” entrou no calendário litúrgico cristão durante a idade média como dia santo.

Na quinta-feira à noite, antes de ser traído, enquanto Jesus, como todos os demais judeus, comia o cordeiro pascoal com seus discípulos em Jerusalém, determinou que os discípulos passassem a comer, não mais a páscoa, mas a comer pão e tomar vinho em memória dele. Estes elementos simbolizavam seu corpo e seu sangue que seriam dados pelos pecados de muitos – uma referência antecipada à sua morte na cruz.

Portanto, cristãos não celebram a páscoa, que é uma festa judaica. Para nós, era simbólica do sacrifício de Jesus, o cordeiro de Deus, cujo sangue impede que o anjo da morte nos destrua eternamente. Os cristãos comem pão e bebem vinho em memória de Cristo, e isto não somente nesta época do ano, mas durante o ano todo.

A Páscoa, também, não é dia santo para nós. Para os cristãos há apenas um dia que poderia ser chamado de santo – o domingo, pois foi num domingo que Jesus ressuscitou de entre os mortos. O foco dos eventos acontecidos com Jesus durante a semana da Páscoa em Jerusalém é sua ressurreição no domingo de manhã. Se ele não tivesse ressuscitado sua morte teria sido em vão. Seu resgate de entre os mortos comprova que Ele era o Filho de Deus e que sua morte tem poder para perdoar os pecados dos que nele creem.

Por fim, coelhos, ovos e outros apetrechos populares foram acrescentados ao evento da Páscoa pela crendice e superstição populares. Nada têm a ver com o significado da Páscoa judaica e nem da ceia do Senhor celebrada pelos cristãos.

Em termos práticos, os cristãos podem tomar as seguintes atitudes para com as celebrações da Páscoa tão populares em nosso país: (1) rejeitá-las completamente, por causa dos erros, equívocos, superstições e mercantilismo que contaminaram a ocasião; (2) aceitá-las normalmente como parte da cultura brasileira; (3) usar a ocasião para redimir o verdadeiro sentido da Páscoa. Eu opto por esta última, pois a primeira é por demais reacionária e enfoca nos elementos pagãos da ocasião em detrimento dos elementos cristãos em sua origem. A segunda traz confusão, especialmente para nossos filhos, na cabeça de quem páscoa é coelho e ovo. Na última opção podemos aproveitar a ocasião para explicar, pregar, publicar e anunciar a quem pudermos o que a Páscoa significa."

Eu opto por esta última.

Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: www.ipb.org.br

A Páscoa judaica e a ceia de Jesus Cristo


           
                                                                                                                      
                                 
           
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      A primeira Páscoa, a qual foi realizada no Egito, foi diferente das demais que foram realizadas posteriormente. A Páscoa realizada no Egito está relacionada à décima praga; a morte dos primogênitos dos egípcios e de seus animais e, também com a saída de Israel do Egito (Êx 12). Naquele dia, cada família fora instruída a imolar um cordeiro, ou cabrito, sem defeitos, e, aplicar o seu sangue nas ombreiras e na verga da porta de suas casas, como sinal que lhes asseguraria segurança se ficassem em casa. Contudo, precisavam obedecer à ordem divina. Portanto, o sangue aspergido nos marcos das portas, fora efetuada com fé obediente (Êx 12.28; Heb 11.28); essa obediência pela fé, então resultou na redenção mediante o sangue (Êx 12.7,13). Evidentemente o evento da Páscoa e do Êxodo, é sem dúvida, a mais linda história de Israel no A.T. A história de um povo resgatado da escravidão. Temos realmente certeza, de que se Deus, não houvesse agido e libertado o Seu povo, da escravidão do Egito, a história de Israel seria outra.
     As celebrações anuais da Páscoa judaica concentravam-se em dois principais propósitos, que são:
    1.1) Memorial: - «...Este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor (Yahweh); nas vossas gerações e celebrareis por estatuto perpétuo. E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este vosso? Então, direis. Este é o sacrifício da Páscoa de Jeová, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as vossas casas» (Êx 12.14,26 e 27, grifo nosso). Uma tão grande Salvação, realizada por Deus em prol de Seu povo, não poderia jamais cair no esquecimento. Vemos que, os Filhos de Israel foram instruídos por Deus, a solenizar todos os anos a sua libertação da escravidão no Egito, bem como, o livramento de seus primogênitos. Todos os anos na Festa da Páscoa; os filhos de Israel, nas gerações futuras, haveriam de fazer esta pergunta a seus pais; «Que culto é este?» Com relação ao significado deste culto, deveriam responder que se tratava do «sacrifício da Páscoa a Jeová» (Êx 12.27). Por conseguinte, era uma festa em torno da redenção de Israel do Egito. Aliás, solenizada ainda pelos judeus até os dias de hoje.
     1.2) Simbolismo Profético: - O Senhor Jeová, bem que poderia ter determinado a morte dos primogênitos dos egípcios e, poupado os primogênitos dos filhos de Israel, sem que houvesse a necessidade de ordenar que cada família escolhesse um cordeiro (ou cabrito), de um ano de idade, sem defeito, e fosse sacrificado e seu sangue aspergido nos lugares indicados (na verga e nas ombreiras da porta). Deus poderia ter agido de outro modo, punindo Faraó, e libertando o Seu povo da escravidão, sem que fosse necessário sacrificar um inocente animalzinho. Mas, é Ele, quem controla todas as circunstâncias e, sabe perfeitamente o que faz e o que deve ser feito. Com todos estes acontecimentos, Yahweh, teve como propósito primordial, prenunciar a morte de Jesus Cristo; o alvo era ensinar Israel e, colocar em suas mentes, a salvação pelo «sangue», preparando-os para o advento de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1.29). É importante sabermos, que o cordeiro morto por cada família israelita, tornou-se o substituto de seu primogênito, uma vez que a morte não teve poder sobre as casas que estavam marcadas com sangue. Nisto, os israelitas, então, deveriam aprender sobre a substituição, isto é, substituir os inocentes pelos culpados.
     É notório que no A.T., todos os sacrifícios de animais exprimiam o princípio, que devia verificar-se em sua plena realidade na morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Senhor Yahweh concedeu ao povo do A.T., uma prefiguração do sangue derramado por Jesus Cristo, da Sua morte vicária (em nosso lugar), pelos nossos pecados, da morte do justo pelos injustos, uma vez por todos. A Epístola aos Hebreus mostra-nos que os sacrifícios do A.T., eram na melhor das hipóteses, uma resposta incompleta do problema do pecado (Heb 8; 9; 10.1-15). Cessaram esses sacrifícios, mas ainda hoje eles nos ajudam a entender o significado da cruz, o significado do sacrifício de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
           Relato bíblico sobre a última páscoa e a instituição da Santa Ceia
    Durante vários séculos a páscoa judaica viera apontando para o sacrifício de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus (João 1.29). Todavia, chegara o tempo do Senhor Jesus, celebrar a Última Páscoa, juntamente com os seus apóstolos. Este era o momento que Jesus tanto esperava (Luc 22.15). Foi na noite que precedeu a Sua morte, que Jesus e os Seus discípulos comeram a Última Páscoa, substituiu pela Sua Ceia e depois foi morto como o Cordeiro Pascal (Mat 26.17-29; Marc 14.12-26; Luc 22.7-20; João 13 e 14). Portanto, houve duas ceias; a Ceia da Páscoa e a Ceia do Senhor Jesus. Esta foi instituída no final daquela. Lucas menciona doiscálices (Luc 22.17-20); Mateus, Marcos e Lucas mencionam ambas as ceias, João somente cita a Páscoa.
     A instituição da Santa Ceia, é relatada por dois apóstolos que foram testemunhas oculares e participantes dela, a saber; Mateus e João. Marcos e Lucas, embora não estivessem presentes na ocasião, suprem alguns pormenores. O apóstolo Paulo, ao dar instruções aos coríntios, fornece esclarecimento sobre algumas de suas particularidades (1 Cor 11.17-34). Tais fontes nos dizem que, na noite antes da Sua morte, Jesus se reuniu com os Seus doze apóstolos em um cenáculo mobiliado para celebrar a Última Páscoa (Mat 26.17-29 e ref.). Com o desejo de cumprir toda a justiça e honrar a lei cerimonial, que ainda durava, Jesus ordenou tudo o que era necessário para comer a Última refeição pascal com os Seus discípulos. Tudo foi feito como Jesus ordenara, e prepararam a Páscoa (Mat 26.17-19). «E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com o doze» (vs.20). O evangelista Lucas relata que Jesus desejava ansiosamente comer a Última Páscoa com os Seus discípulos. «E disse-lhes: tenho desejado ansiosamente comer convosco está Páscoa, antes do meu sofrimento» (Luc 22.15).
     Jesus tomou os elementos da Páscoa e deu uma nova significação. Mateus relata: «Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice e dando graças deu-lho dizendo; bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue do Novo Pacto, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não bebereis deste fruto da vide até àquele dia em que beba de novo convosco no reino de meu Pai. E tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras» (Mat 26.26-30). A Páscoa judaica encontra seu comprimento e seu fim na, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa no A.T. e a Ceia do Senhor Jesus no N.T., ambas apontam para uma mesma coisa; o Sacrifício de Jesus Cristo! A primeira estava distante da outra por quase quinze séculos, e tinha um caráter prospectivo; apontava para a Cruz de Jesus Cristo; a segunda, a Ceia do Senhor Jesus, também chamada de Santa Ceia, têm um caráter retrospectivo; apontando também à morte de Jesus Cristo.
     A Ceia do Senhor Jesus inicia uma nova era e aponta para uma obra já consumada. Podemos observar que, «duas festas uniram-se nesta celebração». No cenáculo deu-se um acontecimento notável: A Festa Pascal foi solenemente encerrada (Luc 22.16-18), e a Ceia do Senhor Jesus instituída com uma solenidade ainda mais sublime do que a Páscoa (Luc 22.19-21; 1 Cor 5.7). Portanto, naquela ocasião terminou um período e começou outro; Cristo era o cumprimento de uma ordenança e a consumação da outra. A Páscoa agora tinha servido seu propósito profético, porque o Cordeiro que o sacrifício simbolizava, ia ser morto naquele dia. Por isso foi substituída por uma «nova instituição», apresentando a verdadeira realidade do Cristianismo, como a Páscoa tinha apresentado a do Judaísmo.
        O tempo em que ocorreu a ultima páscoa
    O Dia exato da celebração da Última Páscoa é um dos assuntos debatidos pelos estudiosos. Diferentes tipos de interpretações têm sido expostos. Isto é o que veremos abaixo:
   Primeira interpretação: Esta interpretação julga que a ordem de Jesus aos seus discípulos para que fizessem os preparativos para a Páscoa, sucedeu na «quarta-feira» do 13 de Nisã, e que a Ceia pascal, foi comida no começo da «quinta-feira» do dia 14 de Nisã; neste caso colocam a crucificação de Jesus como ocorrida na «quinta-feira 14 de Nisã», que é incorreto.
   Segunda interpretação: Estes com base nos Evangelhos sinópticos (Mat 26.17; Mc 14.12; Luc 22.7), sustentam que os preparativos para a Páscoa, foram feitos na tarde da «quinta-feira» do dia 14 de Nisã, e que a Ceia pascal foi comida no começo (na noite) da «sexta-feira do dia 15 de Nisã». Estes colocam a crucificação de Jesus para esta última data, que é também incorreto.
   Terceira interpretação: Para os que defendem está interpretação, Jesus enviou dois dos Seus discípulos à procura de um cenáculo que Ele mesmo indicara, para que assim fizessem os preparativos para a Páscoa, na «quinta-feira do dia 13 de Nisã» e, que Jesus e os discípulos comeram a Ceia pascal (na qual em seguida Jesus instituiu a Santa Ceia), na noite da «sexta-feira do dia 14 de Nisã». De acordo com essa interpretação, Jesus foi crucificado na hora terceira da «sexta-feira do dia 14 de Nisã».
    Destas três interpretações que acabamos de ver, a «terceira» é a que se harmoniza com o desenrolar dos fatos, desde a ordem de Jesus para os preparativos para a Páscoa até a Sua crucificação. Para confirmar esta interpretação, é necessário fazermos algumas objeções, vejamos em seguida:
    De acordo com Mateus, Marcos e Lucas, Jesus enviou dois de Seus discípulos para que fizessem os preparativos da Páscoa «No primeiro dia da festa dos pães asmos» [Páscoa], dando a entender ser o dia 14 de Nisã, sendo assim, era realmente o dia em que eram imolados (entre as duas as tardes) no Templo os cordeiros pascais. Entretanto, João, sem mencionar os preparativos (que segundo Lucas foram Pedro e João os dois discípulos enviados por Jesus para fazerem os preparativos para a Páscoa – Luc 22.8), transmite-nos uma expressão diferente dos sinópticos, quando ao se referir à Última Páscoa celebrada por Jesus e seus discípulos, prefere em dizer que ela (Última páscoa) acorreu «antes da festa da Páscoa» (João 13.1).
    Realmente o maior desafio consiste em esclarecer, se a Última Ceia pascal, ocorreu nocomeço do dia 14 ou no começo do dia 15 de Nisã. O que já podemos afirmar, é que, a crucificação de Jesus, ocorreu na sexta-feira, e não na quinta-feira, como supõem a primeira interpretação a qual temos visto acima. Tal fato é confirmado nas palavras do apóstolo João que diz: «Então os judeus, para que no sábado ficassem os corpos na cruz, visto como era apreparação» (João 19.31). «...Preparação...», no grego parasceve«...sexta-feira...», no hebraico é erebh shabbath, isto é, o dia anterior ao sábado.
   Depois de confirmado que a crucificação de Jesus Cristo se deu na manhã da «sexta-feira», assim também fica comprovado que a Última Ceia pascal ocorreu após o início da «sexta-feira», ou seja, após o pôr-do-sol da «quinta-feira» (o dia judaico começa às 18h). Sendo assim, os preparativos da Páscoa foram feitos na tarde da «quinta-feira». Como já sabemos que a celebração da Última Ceia Pascal se deu na sexta-feira, agora, precisamos esclarecer, se aquela quinta-feira da Paixão, era dia «13» ou «14» de Nisã. De modo como já vimos, pelas expressões dos sinópticos (Mat 26.17; Marc 14.12; Luc 22.7), sugerem que aquela «quinta-feira» era «14 de Nisã» (veja sobre a «segunda interpretação»). E, segundo João era «antes da Festa da Páscoa» (João 13.1). Portanto, há uma aparente contradição entre os sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas) e João. Pela aparente expressão de linguagem dos sinópticos, a Última Páscoa ocorreu no dia 15 de Nisã, neste caso indica que Jesus foi crucificado no dia 15 de Nisã, ou seja, na manhã deste dia. Todavia, segundo o desenrolar dos fatos, os preparativos para a Páscoa foram feitos, na quinta-feira do dia «13 de Nisã», e que a Última Ceia Pascal de Jesus e os seus discípulos, foi realmente comida na noite, ou seja, após o início da «sexta-feira do dia quatorze de Nisã». Tais fatos são confirmados pelas seguintes razões:
    1. Se realmente aquela sexta-feira fosse «15 de Nisã», então, seria um dia de feriado religioso. Todos os anos o dia 15 de Nisã era um dia de Santa Convocação (Êx 12.16), isto é, o primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, e, conforme a ordem Divina, neste dia nenhuma obra podia ser feita, exceto o que diz respeito à comida, isso poderia ser feito (Vede «Os Dias de Santas Convocações»). Por conseguinte, o dia «15 de Nisã», era um dia de repouso igual ao sábado semanal. Diante disso, vamos juntos raciocinar: Porventura, violaria os judeus um feriado religioso para prender, julgar, condenar e crucificar Jesus Cristo? Não, jamais fariam isto num feriado religioso, mesmo em se tratando de um suposto malfeitor (Luc 22.52).
    2. Nos tempos de Jesus Cristo, os cordeiros pascais eram imolados no Templo, em Jerusalém, na tarde do dia 14 de Nisã (Deut 16.5,6). O cordeiro que Jesus e os seus discípulos comeram por ocasião da Última Páscoa, não foi abatido no Templo, mas sim, no lugar onde fizeram os preparativos da Páscoa, ou seja, possivelmente no cenáculo (Luc 22.8-13).
    3. Se aquela «quinta-feira» tivesse sido «14 de Nisã», obviamente, todos os demais judeus também teriam imolado os cordeiros pascais e não somente os discípulos de Jesus Cristo. Para isso, teriam também os demais judeus comido a Ceia pascal ao mesmo tempo em que Jesus e os Seus comeram a Última Ceia Pascal, isto é, na noite da «sexta-feira 15 de Nisã». Teriam crucificado Jesus na «sexta-feira 15 de Nisã»?
    3.1. Não há nenhuma evidência bíblica que venha a indicar que os judeus tenham celebrado a Páscoa ao mesmo tempo em que Jesus e os seus discípulos a celebraram-na. Pelo contrário, pela cronologia dos acontecimentos, fica evidente que Jesus e os Seus discípulos celebraram a Última Páscoa com um dia de antecedência, ou seja, cerca de 24 horas antes. A Páscoa oficial, isto é, a ceia pascal dos judeus, somente ocorreu depois do pôr-do-sol da «sexta-feira», precisamente na noite do «sábado», quando Jesus já estava na sepultura.
    3.2. Outro fato que comprova que aquela «quinta-feira» não foi «14 de Nisã» (e que na verdade a sexta-feira não foi «15 de Nisã»), se verifica nas palavras do apóstolo João, quando ao indicar o tempo do julgamento final de Jesus, disse: «Ora, era a preparação [gr parasceve]da Páscoa, e cerca da hora sexta...» (João 19.14a). A expressão «...preparação...», nesta passagem tem o sentido diferente da expressão «preparação», do versículo 31 deste mesmo capítulo. A expressão «preparação» aqui enfocada, diz respeito «à véspera da Páscoa», hebraico erebh ha-pesah, e não exatamente o dia anterior as sábado, conforme João 19.31. Esta passagem (vs.14) indica que era o momento (na «hora sexta» certamente é a hora romana, às 6h da manhã, pois o dia romano começava à meia-noite) em que os judeus estavam fazendo os preparativos para a Páscoa, o que incluía o ABATE dos cordeiros na tarde daquele dia (sexta-feira, 14 de Nisã), para que assim fosse comido (ceia pascal), após o pôr-do-sol, quando se dava início a um novo dia, isto é, o sábado 15 de Nisã (Mat 27.15; Marc 15.6,42, João 18.39). Neste caso, fica evidente que até o momento da crucificação de Jesus, os judeus ainda não haviam celebrado a ceia pascal.
    3.3. Jesus não foi crucificado no dia «15 de Nisã», ou seja, aquela «sexta-feira» não foi 15 de Nisã, como aparentemente indicam os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. Jesus Cristo celebrou a Última Ceia Pascal com os Seus discípulos na noite da «sexta-feira dia 14 de Nisã», e foi crucificado no mesmo dia, porém, na manhã deste dia, na «hora terceira» judaica (cerca das 9h). Pois, Jesus expirou na cruz no mesmo dia (14 de Nisã) em que no Templo eram imolados os cordeiros pascais (isto é, na hora nona judaica, cerca «das 15 horas» em nosso horário). É bom termos em mente que, Jesus também cumpriu com perfeição o «fator tempo» determinado pela Lei Mosaica, como «dia» e «hora». E, este dia era «quatorze do primeiro mês» do calendário Sagrado judaico, ou seja, 14 de Abibe ou Nisã, e, esta hora era «às 15 horas» (hora nona). Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, o antítipo dos cordeiros pascais.
      A possível ordem dos acontecimentos, entre a quinta e a sexta-feira da semana da Paixão
    Segue abaixo; a ordem provável dos acontecimentos entre a «quinta-feira» (13 de Nisã) e a «sexta-feira» (14 de Nisã) da Semana da Paixão:
    No quinto dia semana (13 de Nisã), Jesus enviou dois de Seus discípulos (Pedro e João) para que fizessem os preparativos para a Páscoa, num cenáculo que Ele mesmo indicara (Mat 26.14-19). Ao declinar do dia Jesus seguiu com os Seus discípulos para esse lugar (Marc 14.17). Depois do pôr-do-sol (início da sexta-feira, 14 de Nisã) assentaram-se juntos (ou melhor, se inclinaram conforme o costume romano) Jesus e os seus discípulos para participar da Última Páscoa. No decurso da refeição pascal, Jesus levantou-se e lavou os pés dos discípulos (João 13.4-20). Em seguida com grande tristeza, Jesus predisse que um dos doze havia de traí-lo; antes de comer o cordeiro e após comer um pedaço de pão molhado (na sopa de frutas) que Jesus lhe dera, Judas Iscariótes se retirou para não mais voltar à presença do Mestre, senão na hora da traição, no Jardim (João 13.26,27). Depois da celebração da Ceia Pascal (rito característico do A.T.) pela última vez; então Jesus instituiu simbolicamente o pão dizendo: «Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim» (Luc 22.19). «Semelhantemente, depois de cear tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue, derramado em favor de vós» (Luc 22.20). Depois de celebrar a Santa Ceia, Jesus instruiu os Seus discípulos e consolou-os dizendo: «Não se turbe o vosso coração...» (João 14.1). Jesus Intercedeu por Si mesmo e pelos Seus discípulos, com uma oração sacerdotal (isto é, oração feita de joelhos – João 17.1-26), cantou um hino e saíram para o Getsêmani, onde foi para orar, durante o tempo em que precedia a sua traição e prisão. Foi naquele lugar onde Jesus sofreu a mais dura agonia antes da cruz. Tendo sido fortalecido, Jesus RECEBE a visita esperada do traidor (Judas), tendo em companhia uma multidão de pessoas. Após um beijo traiçoeiro, Judas indicou a vítima, aos soldados. Então, Jesus foi preso, em seguida acusado, julgado, maltratado, escarnecido, condenado e crucificado (Mat 26.17 ss.; Marc 14.25 ss.; Luc 22.7 ss.; 23; João 13-19).
   Portanto, fica esclarecido que Jesus e Seus discípulos não celebraram a Última Páscoa no dia oficial (que seria na noite do dia 15), mas com «um dia de antecedência», ou seja, cerca de 24 horas antes. E, que isto ocorreu, na noite da sexta-feira do dia 14 de Nisã (que começou às 18h da quinta-feira, 13 de Nisã).
        Os elementos que fizeram parte da última páscoa
   Quando Jesus enviou dois de Seus discípulos (Pedro e João) para fazerem os preparativos da Páscoa, tinham eles a seguinte missão:
 Primeiro; encontrar um homem que levava um cântaro de água e segui-lo. Normalmente quem carregava água eram as mulheres, por isso não devia ser difícil identificar este homem (Marc 14.13).
 Segundo; perguntar a ele: «O Mestre diz [eles foram como representantes de Jesus]: Onde está o aposento em que ei de comer a Páscoa com os meus discípulos?» (Marc 14.14,15).
 Terceiro; fazer os preparativos da Páscoa, «...preparai ali» (Marc 14.15). Os preparativos eram: «Imolar e assar o cordeiro, providenciar pães asmos, ervas amargas, sopa de frutas, água salgada e suco de uva (não-fermentado)».
 Estes elementos que faziam parte da Páscoa judaica, cada um tinha um significado especial.
  O Cordeiro Pascal: Lembrava a proteção, o livramento dos primogênitos da casa dos filhos de Israel, quando cada família israelita aspergiu o sangue do cordeiro nas ombreiras e na verga da porta. Era uma lembrança e uma comemoração deste maravilhoso livramento (ver Êx 12).
  Os Pães Asmos: Lembravam a saída urgente de Israel da terra do Egito. Esses pães asmos também representavam a separação entre os israelitas redimidos e o Egito. Também chamado de «pão de aflição», que representava os sofrimentos dos filhos de Israel (Êx 12.15,34,39, Deut 16.3).  
   Água Salgada: Lembrava as lágrimas salgadas derramadas pelos israelitas durante os seus anos de escravidão no Egito.
   Ervas Amargas (hb marór): Lembravam as amarguras da escravidão no Egito (Núm 9.11).
   A Sopa de Frutas (hb charoshet): Lembrava a massa de tijolos que os filhos de Israel tinham de preparar na terra do Egito (Êx 5.6-19).
    Quatro Cálices (copos) de Vinho: Lembravam as «quatro promessas» de Êxodo 6.6,7.
    Conforme acima mencionado, empregavam-se «quatro cálices» de vinho misturado com água que a Bíblia nada diz. Segundo a tradição judaica, tomam-se «quatro cálices» de vinho porque a Bíblia usa quatro verbos diferentes para descrever o drama da redenção do cativeiro do Egito. As quatro citações à redenção podem ser encontradas no livro de Êxodo, capítulo 6 e versículos 6 e 7.
   1. E vos «tirarei» de debaixo da carga dos egípcios.
   2. E vos «livrarei» da sua servidão.
   3. E vos «resgatarei» com braços estendidos e grandes juízos.
   4. E vos «tomarei» por meu povo.
   A Páscoa celebrada nos dias hoje pelos judeus sofreu alteração. Por exemplo; o sacrifício dos cordeiros se manteve enquanto o Templo de Jerusalém existia (Deut 16.1-6). Com a sua destruição pelos romanos, em 70 d.C., o sistema de Sacrifícios terminou e foi substituído completamente pelos serviços de orações, que também aconteciam durante a existência do Templo.
   A Festa judaica contemporânea chamada Seder, já não é celebrada com o cordeiro assado. Entretanto, as famílias ainda se reúnem para a solenidade e, o pai da família narra toda a história do Êxodo, conforme a prescrição de Yahweh (Êx 12.14,26,27). Enquanto, que para os judeus o oferecimento de sacrifícios terminou quando os romanos destruíram o Templo de Jerusalém em 70 d.C.; no entanto, os samaritanos continuam a OFERECER todos os anos os sacrifícios pascais no monte Gerizim, de acordo com a lei judaica.
Fonte:http://www.doutrinasbiblicas.com
,JORNALISTA: JOÃO NOGUEIRA DE LIMA  MTB 0060712 SP