"Now the Spirit speaketh expressly, that in the latter times some shall depart from the faith, giving heed to seducing spirits, and doctrines of devils; Speaking lies in hypocrisy;having their conscience seared with a hot iron;"1 Timothy 4:1-2

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A edificação da igreja do Senhor


Cuidado como você constrói
Procuramos sempre encorajar a construção: a construção do caráter, a construção de lares e a construção de igrejas. Isto reflete uma ênfase indiscutível nas Escrituras.
O Senhor é um construtor. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam" (Salmo 127:1). Cada indivíduo é um construtor. "Todo aquele que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante. É semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha.... Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre a terra sem alicerces" (Lucas 6:47-49).
De modo especial, os evangelistas são construtores. Paulo escreveu aos coríntios: "Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele" (1 Coríntios 3:10). A estas palavras, contudo, ele acrescentou: "Porém, cada um veja como edifica".
alicerce precisa estar certo. Desde o começo, Paulo minimizou a importância da sabedoria humana, a personalidade e o talento dos professores. Ele atingiu seu auge em 1 Coríntios 3:11."Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo."
Os materiais precisam estar certos. "Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará" (1 Coríntios 3:12-13). Um templo de madeira, feno e palha pode ser construído rápido e barato. Apelos aos apetites carnais para comida de graça, recreação, divertimento, educação, etc., ajuntarão tais materiais em grandes quantidades. Aqueles que buscam materiais mais caros, limitando-se a pregar "Cristo, e este crucificado", parecerão ser lentos e improdutivos, mas o tempo dirá. Homens de fé não julgam nada "antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará a plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus" (1 Coríntios 4:5).
planta precisa estar certa. Paulo continua: "Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito" (1 Coríntios 4:6).
Alguns notáveis exemplos de construção fantasticamente rápida prenderam a atenção de cristãos em anos recentes. Conversões anuais às centenas, reuniões de milhares, ofertas em milhões e zelo sacrificial atingindo os remotos confins da terra levaram muitos observadores a imaginar se estaremos testemunhando um segundo Pentecostes.
Mas só números e publicidade não são prova de aprovação divina. Considere os mórmons, as Testemunhas de Jeová, a Igreja Universal do Reino de Deus e diversos outros ministérios e campanhas de falsos mestres. O mero fato que um projeto alegar ser bíblico não assegura que o procedimento estará em harmonia com a vontade de Deus.
Em numerosos casos de crescimento sensacional, não somente nos anos recentes mas nas últimas décadas, alguns princípios básicos das Escrituras têm sido descuidados, na ávida busca de resultados. Tal construção descuidada não está limitada àqueles que aceitam alguma determinada filosofia de "discipulado" ou "multiplicação". Por toda parte, todos nós precisamos das advertências do Espírito Santo nas Escrituras.
Que jamais fiquemos tão temerosos de enganos que cessamos de construir. Esse seria o maior engano de todos. Mas que nunca nos tornemos tão positivamente zelosos que reajamos desfavoravelmente à divina advertência: "Cada um veja como edifica".
Autor:  Sewell Hall

sábado, 4 de agosto de 2012

SALMO 8 – A REVELAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS


O Salmo 8 é tanto um salmo de louvor como de adoração. Davi começa esse salmo com uma invocação ao nome de Deus: “Ó SENHOR, Senhor nosso!” No idioma português, parece uma repetição enfática; mas no original, as palavras são Yahweh e Adonay. Yahweh é o nome de Deus mais encontrado na Bíblia e significa “o Eterno, Aquele que Existe por Si Mesmo”. Adonay significa Senhor, Soberano, e é igualmente aplicado a Deus.

Portanto, Davi está dizendo: “Ó Eterno, Senhor nosso!” O significado é que o salmista reconhece a Deus em Seu atributo mais exclusivo, como sendo o Eterno. Os deuses da antiguidade não reivindicavam esse atributo, por não passar pela imaginação dos idólatras e por não ser verdade, pois só o Deus de Israel pode ser dito como eterno. Sendo assim, somente Ele deve ser o nosso Senhor, o Governador do universo.

Como é o nome de Deus? “Quão magnífico em toda a Terra é o Teu nome!” Por que o nome de Deus é magnífico, grandioso? O salmista continua: “Pois expuseste nos céus a Tua majestade.” (v. 1). O nome é magnífico porque Ele Se expôs em toda a Sua majestade. O nome é a representação do próprio Ser da Divindade eterna! Onde é que vemos a maior demonstração da majestade de Deus? Em toda a Terra, e nos céus dos quais a Terra é uma minúscula parte, vemos a majestade do Rei do Universo.

Davi o louva e esclarece que até mesmo do mínimo Deus tira o Seu louvor: “Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.” (v. 2). O nome majestoso de Deus será louvado até por crianças.

Estas palavras foram citadas por Cristo e se cumpriram com o louvor das crianças, quando os Seus inimigos estavam a ponto de matar o Seu Benfeitor! E queriam interromper o louvor dos pequenos, incomodando-se pelas glórias e aleluias proferidas por eles. Ele lhes disse: “Nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” e se calaram os Seus adversários!

Desde as estrelas de maior grandeza até uma frágil criança de peito – Ele será louvado! Desde as imensas galáxias até o menor dos cometas – Ele será louvado! Desde o macrocosmos até o microcosmos – Ele será louvado!

I – A GLÓRIA DE DEUS É REVELADA ASSOMBROSAMENTE ATRAVÉS DOS CÉUS (v. 3-4)

Davi está entusiasmado com uma visão: “Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste...”. A admiração vem pela contemplação. Há muitas pessoas que não admiram o grande poder do Criador porque não tem o hábito de contemplar os céus. Mas o salmista tinha o costume de olhar para os céus e ver um pouco de sua imensidão e glória. Naquele tempo não havia poluição que pudesse ocultar as belezas dos céus; não havia luz elétrica na cidade, e isso tornava mais nítida a escuridão da noite e as estrelas mais brilhantes. E ele, então, ficava deslumbrado e não podia deixar de ver a glória de Deus que criou todas estas coisas com as Suas próprias mãos.

O que acontece quando contemplamos os céus?

1 – Não podemos deixar de nos assombrar. No tempo de Davi, os astrônomos da Grécia ensinavam que não havia mais de 1.002 estrelas no Universo. Pouco mais de três séculos mais tarde um rei e astrônomo egípcio, Ptolomeu (323-285 a. C.), contou 3.012 estrelas. As estrelas haviam então pelo menos “triplicado”! Ao fim do sexto século de nossa era os astrônomos das grandes universidades da Europa consideravam que havia 7.000 estrelas.

Mas quando Galileu esboçou seu primeiro telescópio em 1609, ele pôde contar 100.000 estrelas. Poucos anos mais tarde ele fabricou um novo telescópio de duas e meia polegadas e eis que 300.000 estrelas apareceram no céu ante o seu olhar espantado! Mas hoje o grande telescópio de 200 polegadas (5 metros de diâmetro) do Monte Palomar na Califórnia demonstra que há estrelas aos bilhões pelo Universo! Através desse potente telescópio, pôde se contemplar a galáxia Andrômeda a uma distância de 2,5 milhões de anos-luz, considerando-se que um ano-luz é a distância que a luz percorre num ano, à velocidade de 300.000 km por segundo! [1 ano-luz = 9,5 trilhões de km].

Consideremos a galáxia da qual nosso sistema solar é uma parte: a galáxia chamada Via Láctea. De acordo com um cálculo de Newton, em sua fórmula (p2 = (4Π2/GM) a3), somente a nossa galáxia possui 200 bilhões de estrelas semelhantes ao sol, com trilhões de planetas e corpos celestes. Ela mede 100.000 anos-luz de diâmetro. Portanto, se pudéssemos viajar em toda a extensão da Via Láctea com a velocidade da luz, levaríamos pelo menos 300.000 anos viajando. E, se quiséssemos visitar a galáxia mais próxima da terra, à galáxia Andrômeda, teríamos de viajar por 2,5 milhões de anos, na velocidade da luz. Tudo isso indica a grandeza da nossa insignificância. Tudo isso indica a majestade do grande Criador!


 
(Galáxia Andrômeda: 2,5 milhões de anos-luz de distância de nossa galáxia. Fonte:

Ora, os astrônomos descobriram cerca de 200 milhões de outras galáxias semelhantes à nossa, cada uma com seus milhões de estrelas e planetas. Uma dessas galáxias é cerca de 50 vezes maior que a nossa. Há estrelas fotografadas que estão a 9 milhões de anos-luz de distância! Mas isto nos dá apenas uma pálida idéia do tamanho infinito do Universo. Davi, que não podia conhecer as descobertas científicas atuais, ficou deslumbrado diante do espetáculo que podia contemplar a olho nu. Entretanto, nós outros podemos nos surpreender muito mais ao contemplar, por um telescópio ou assistindo a um Planetário, uma parte impressionante da imensidão do universo. Com efeito, não podemos deixar de nos assombrar!

2 – Não podemos deixar de adorar. Quando contemplamos a lua e as estrelas à noite, quando contemplamos os céus em toda a sua beleza, não podemos deixar de glorificar ao Criador.

Voltaire, filósofo francês, era um incrédulo agnóstico. Voltaire foi um homem que dedicou a sua vida inteira para pregar contra a Bíblia e dizer que esta religião da Bíblia seria completamente descartada em 50 anos. Voltaire, no entanto, estava numa noite estrelada olhando para os céus, e ele escreveu estas palavras: "Eu estava contemplando este maravilhoso espetáculo, eu estava embevecido;" e ele continua: "é preciso ser cego para não ver esta majestade, é preciso ser estúpido para não reconhecer o seu Autor, é preciso ser louco para não adorá-lO." Voltaire era um ateu, mas, quando contemplou os céus, teve de reconhecer a sua própria loucura: "É preciso ser louco para não adorá-lO!"

3 – Não podemos deixar de nos humilhar. O salmista, depois de contemplar a exuberância e glória de Deus nos céus, disse: “Que é o homem, que dele te lembres e o filho do homem, que o visites?” Depois de contemplarmos os céus, em toda a sua glória, não podemos deixar de ver ao mesmo tempo a nossa pequenez e insignificância! É muita bondade e condescendência do Deus Criador ainda Se importar com o homem a ponto de Se lembrar dele e visitá-lo.

A pergunta: “Que é o homem?” exige a resposta lógica: “O homem não é nada, diante de tanto fulgor celeste, diante da glória de um Deus majestoso e onipotente, que criou tanta imensidão!” O profeta Isaías contemplava os céus como Davi e, depois de ver tanta majestade, disse: “Eis que as nações são consideradas por Ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança!” (Is 40:15). “Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; Ele as considera menos do que nada, como um vácuo.” (v. 17). “Eis que sois menos do que nada” (Isaías 41:24). Repito: astronômica, ou biblicamente, vemos em tudo a grandeza da nossa insignificância. Mas, vemos, também, o interesse de um Deus de amor em todos os detalhes de nossa vida.

A humilhação do homem diante de Deus é saudável, e deve ser mais praticada neste século de sofisticada arrogância. Não devemos nos humilhar diante de homens porque somos todos iguais em natureza e valor. Mas é virtuoso nos humilharmos diante de Deus. Disse o apóstolo Tiago: “Humilhai-vos na presença do Senhor.” (Tg 4:10). “Há necessidade de mudanças decididas. É tempo de humilharmos nosso coração orgulhoso e obstinado, e buscarmos ao Senhor enquanto Ele pode ser achado. Como povo precisamos humilhar nosso coração diante de Deus; pois as cicatrizes de nossa incoerência estão em nossa prática.” (E.G.White, CRA, 40).

“Que é o homem?” perguntava o salmista Davi. Mesmo não sendo nada, ou se pode haver algo menos do que nada, assim ele é. Esta pergunta deveria ser mais frequentemente posta diante de nós: “Que é o homem? Quem somos nós?” Frágeis pecadores, adornados com uma natureza pecaminosa, cheios de orgulho e egoísmo, que são os fundamentos de todo o pecado.

A idéia básica é a bondade e o amor condescendentes de Deus para com o homem. Que Deus, que fez os céus e derramou Sua glória sobre eles, devesse ter tanta consideração pelo homem, a ponto de lembrar-se dele, e visitá-lo, é um pensamento impressionante, estarrecedor, até!

II – A GLÓRIA DE DEUS É REVELADA MAIS AMPLAMENTE ATRAVÉS DO HOMEM (v. 5)

Mas o salmista também vê a glória de Deus através do próprio homem. Ele continua dizendo: “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.   Deste-lhe domínio sobre as obras da Tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares.”

1 – O homem foi criado à imagem divina. Deus revelou a Sua glória no homem que foi criado à Sua própria imagem e semelhança. Adão foi criado perfeito, recebendo de Seu Criador as glórias de Sua imagem, do Seu caráter, formado com as faculdades físicas, mentais e espirituais, em processo de desenvolvimento e perfeita harmonia. Este é um pensamento estarrecedor: Como pôde o Deus Todo-Poderoso, o Criador de milhões de galáxias e de mundos e estrelas sem conta, honrar tanto o homem que o criou à Sua imagem?

2 – O homem foi criado com uma distinção divina: “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus”. Os anjos têm a sua própria glória; entretanto, só o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Não sabemos nada sobre as limitações dos anjos, além do fato de que Deus vê imperfeições neles (Jó 4:18). Mas a coisa mais impressionante é que o homem foi “por um pouco, menor do que Deus”. Esta é uma declaração exclusiva para o homem. Esta é uma afirmação tão bombástica que os 70 judeus que traduziram o Antigo Testamento para o grego trocaram a palavra “Deus” e a substituíram por “anjos”, como aparece na Septuaginta (LXX).

Eles julgaram que Davi tinha ido longe demais em sua declaração sobre o homem. Eles pensaram que seria mais próprio comparar o homem com os anjos. Entretanto, os homens podem ser co-criadores com Deus no processo da reprodução, o que não acontece com os anjos (Mt 22:30), razão por que o homem foi criado superior aos anjos, em poder de gerar outros seres à semelhança do mesmo Deus. Mas ainda no Céu, cessado o processo da reprodução, os homens serão considerados superiores aos anjos: “Aqueles que, na força de Cristo, vencem o grande inimigo de Deus e do homem ocuparão nas cortes celestiais uma posição superior à dos anjos que nunca caíram.” (E.G.White, MM 1992, Exaltai-O, p. 231). 

3 – O homem foi criado com capacidades divinas: Assim como Deus é o Rei do universo, o homem foi criado para dominar como rei da criação, sobre toda a terra e sobre todos os animais do campo, as aves dos céus e os peixes do mar. Ele é o único dentre os seres criados neste planeta que pode se comunicar com Deus através do seu espírito, no qual o Espírito Santo fala, deixando-lhe a convicção inabalável de que somos filhos de Deus. O homem foi criado para desenvolver as suas faculdades físicas, mentais e espirituais, galgando a perfeição.

III - A GLÓRIA DE DEUS É REVELADA MAIS PERFEITAMENTE ATRAVÉS DE CRISTO (Hb 2:7,9)

A maior revelação da glória de Deus não está nos céus; não está no homem. A maior revelação da glória de Deus está em Jesus Cristo. O apóstolo Paulo nos ensina isto em sua interpretação do salmo 8 que ele torna cristocêntrico, escrevendo aos Hebreus. Citando o salmo 8, disse em Heb 2:7: “Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste”.

Paulo está citando a Septuaginta que era a Escritura de que ele dispunha na época, que colocou a palavra “anjos” no lugar da palavra “Deus”. Essa passagem revelou um capricho dos judeus, querendo ser mais reverentes do que Davi, como eu disse antes. Mas foi nessa mesma passagem que Paulo por inspiração divina baseou a sua teologia da humilhação de Cristo para revelar a glória de Deus através dEle.

Como Paulo interpreta o salmo 8? Este salmo, para ele, tem um sentido muito mais amplo, porque era um salmo messiânico: não significava apenas uma descrição do homem, mas de Cristo. Assim ele se expressa: “Vemos, todavia, Aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.” (Hb 2:9).

1 – Cristo foi feito menor do que os anjos. Ele não tinha a natureza de Adão antes do pecado, corpo forte, sem as fraquezas e enfermidades que nos são tão próprias. Ele assumiu a natureza humana, após 4.000 anos de fraqueza e degradação. Embora sem pecado e sem a natureza pecaminosa, Cristo foi considerado menor que os anjos por causa do Seu sofrimento. Mas isso foi apenas “por um pouco”.

2 – Cristo revelou a glória de Deus. Ele foi coroado de glória e honra para exercer o domínio do mundo por vir. Em Cristo, Deus revelou a Sua exuberante glória, em Sua vida perfeita, em Seu poder de curar, realizar milagres, e em Sua ressurreição e ascensão. Então, Ele assumiu o Seu lugar de honra e todos os anjos O receberam e O adoraram. Com isso Paulo prova que Jesus Cristo é superior aos anjos, e, portanto, sendo Deus, deve receber a nossa adoração e obediência.

3 – Cristo revelou a excelência da glória de Deus. Isso não está nos céus estelares, e muito menos no homem. Isto foi revelado em Cristo, na Cruz do Calvário. Lá é que foi revelada a excelência da glória de Deus. Na Cruz, vemos um Deus Se revelando em Seu caráter de amor pelo pecador e justiça ao punir o pecado em Seu próprio Filho! Este é o pensamento mais estarrecedor que encanta aos anjos e aos habitantes dos mundos do universo, e deveria nos encher de assombro e admiração!

É o nosso grande Deus, o Criador das 200 milhões de galáxias que Se inclina na mais abjeta humilhação da Cruz para salvar o pecador, a nós, a mim e a você que aqui está! A Cruz revela a glória do caráter de um Deus de amor e justiça de forma incontestável, faz calar os Seus inimigos e dá uma resposta satisfatória a todo o Universo!

CONCLUSÃO

O salmista termina o seu cântico de louvor e adoração exatamente como iniciou: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” (Sl 8:9). Muitas vezes, no pensamento hebraico, os profetas apresentam o clímax, antes de qualquer outra idéia, o fim antes do princípio, o melhor colocado em primeiro lugar. Mas como o clímax é muito especial, Davi o repete, no fim, onde deve ser colocado.

Depois de estudarmos um salmo como este, não encontramos outras palavras mesmo senão as do próprio Davi, ao dizer: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a Terra é o Teu nome!” Quão digno de ser louvado e glorificado! Quão digno de ser lembrado e visitado em Sua igreja! Quão digno de ser amado, e servido em obediência e amor! Quão digno Ele é de ser ansiosamente esperado em Sua gloriosa vinda à Terra!

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A DOUTRINA DE DEUS


A palavra teologia, pode expressar todo o conjunto das disciplinas bíblicas (bibliologia, teologia, eclesiologia, pneumatologia, cristologia etc) ou a pesquisa da filosofia da religião. Também denomina uma face dos estudos escriturísticos, principalmente o da doutrina de Deus.

O vocábulo teologia vem de duas palavras gregas, theós e lógos, que significam Deus e estudo, respectivamente (ou seja, estudo de Deus). O termo indica o estudo das coisas relativas a Deus, fazendo-nos refletir sobre a natureza divina e suas obras, e até mesmo sobre o seu (de Deus) relacionamento com a criação.

O campo teológico é muito amplo e precisamos demarcar algumas áreas fundamentais para um estudo sério e legítimo. Para isso, usamos a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, como fonte única e fundamental ara conhecermos a Deus. Algumas perguntas devem ser formuladas, mas devemos ter o cuidado de não limitarmos Deus aos padrões referenciais que conhecemos. Portanto, o que precisamos saber sobre Deus nos é revelado em sua própria Palavra. Devemos, primeiramente, estudar sua natureza, depois, sim, seu relacionamento com sua criação.

DEUS EXISTE

Essa é a primeira premissa. As Escrituras não conhecem questionamento à existência de Deus, pois Ele é a causa primeira. Além disso, crer em sua existência é fundamental para conhecê-lo (Hb 11.6). Alguns afirmam que Deus não existe e dizem: "é necessário que sua existência seja cientificamente comprovada, então poderemos crer". Esse argumento não é legítimo, pois falha em relação à capacidade do homem em possuir ferramentas apropriadas para conhecer Deus. Podemos exemplificar: enquanto a humanidade desconhecia o mecanismo da Lei da gravidade, isso jamais a invalidou na prática. A ignorância não anula a realidade.

O primeiro versículo das Escrituras (Gn 1.1) nos diz muito sobre Deus: "No princípio criou Deus os céus e a terra". Nessa frase estão intrínsecas várias questões elementares. Deus antecede a criação dos céus e da terra, e se Ele é antes dessa criação, não está sujeito às leis ou limitações dessa criação. Então, o tempo, o espaço e a matéria são elementos que devem ser excluídos de nossas ferramentas para conhecermos Deus. Em outras palavras, Ele deve ser atemporal, imensurável e imaterial.

Verificamos nas Escrituras o testemunho dessas características (Is 48.12;1Re 8.27; Jo 4.24). Além disso, quando um israelita recitava o primeiro versículo da Bíblia, isso lhe fazia questionar os povos ao redor. As nações ao redor de Israel adoravam os corpos celestes como se fossem divindades. Daí, o israelita meditava: "Se Deus criou os céus e a terra, então o que há nos céus e na terra não deve ser Deus; Deus deve ser superior às coisas criadas". Diversos salmos transmitem essa meditação (69.34; 89.11;102.25;135.6).

COMO CONHECEREMOS DEUS?

Consideremos apenas alguns argumentos que corroboram com a existência de Deus, depois consideraremos as Escrituras, fonte incomparável do estudo teológico.

O argumento cosmológico. Afirma que tudo no universo físico teve uma causa, ainda que a evolução apresente uma fileira interminável de causas, certamente chegaremos a uma "causa primária", uma causa maior do que qualquer dos seus efeitos. Causa essa que originou tudo (Rm 11.35,36).

O argumento teleológico. Toda a imensidade do universo, toda a multiforme existência de vida na terra e toda a complexidade dos seres vivos, principalmente a do ser humano (sua inteligência e moralidade) apontam para um Criador e Sustentador de todas as coisas (Is 40.26; Jo 1.1-3; Cl 1.15,17).

O argumento moral. A moralidade está presente em todas as culturas e raças da humanidade. Se tirarmos seus referenciais supersticiosos, veremos na humanidade um princípio moral. O apóstolo Paulo escreveu: "Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os; no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho". (Rm 2.14-16).

O argumento da história. A história demonstra a evidência de uma providência dominante. As profecias bíblicas, a respeito de muitas nações, alcançaram cumprimento (Jeremias, Isaías, Ezequiel, Daniel e também os chamados Profetas Menores). A própria subsistência da nação de Israel aponta para a providência divina (Jr 1.10).

A CRIAÇÃO REVELA DEUS

A criação é como que um "livro" que anuncia ou leva a assinatura de seu criador: "Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas" (Rm 1.20). A terra (e tudo que existe na natureza) e os céus (e tudo o que existe no universo) testificam de um Deus criador, poderoso e eterno. Os capítulos 38 a 41 do livro de Jó são um testemunho à obra criativa de Deus. A grandeza da criação e sua diversidade e a imensidão do universo têm muito a dizer a respeito do poder e da sabedoria de Deus.

AS ESCRITURAS REVELAM DEUS

Somente por meio da Bíblia teremos um conhecimento amplo e autenticado sobre Deus. As Escrituras ensinam que Deus tem atributos que chamamos de incomunicáveis: onisciência, onipresença e onipotência. Deus é também atemporal. Ainda que a criatura receba graça de Deus, e graça infinita, ela nunca alcançará a posição de Deus. Ainda que a criação (isto é, os seres que vivem segundo Deus) possa crescer infinitamente, ela nunca será Deus, e Deus nunca foi criatura.

Muitos homens são medidos pelo que escrevem. E é justamente por meio da Palavra de Deus escrita que encontraremos os atributos incomunicáveis de Deus (que pertencem somente a Ele) e seus atributos comunicáveis (atributos esses produzidos pelo Espírito de Deus naqueles que vivem diante dele).

Contudo, algumas dúvidas filosóficas e menções de críticos devem ser respondidas. Refiro-me a questionamentos do tipo: "Se tudo é possível para Deus, não há limites para Ele?", "Tem Ele uma luta pessoal e eterna com o mal?" e "Se eu fosse Deus já teria...".

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"Se eu fosse Deus..." Essa é uma exclamação muito conhecida em tempos de crise, calamidade ou indignação com alguma injustiça supostamente originada em Deus. Devido às injustiças que todos presenciamos, muitos chegam a questionar o caráter e a existência de Deus. "Se existe um Deus, onde Ele está? Por que não se apresenta e resolve os problemas da humanidade?", indagam os céticos. Além das questões morais, encontramos posições filosóficas que criticam a existência de Deus: "Se Ele existe e se tudo lhe é possível, poderia criar algo superior a Ele mesmo?", questionam os filósofos.

DISCUSSÕES FILOSÓFICAS

O meio cultural tem afetado o conceito que os povos têm sobre Deus. Teríamos, contudo, alguma base para conhecermos a Deus? Alguns vêem em Deus um ser tão distante e ausente de sua vasta criação que um relacionamento pessoal seria impossível, muito menos uma demonstração de amor e envolvimento que satisfizesse os anseios humanos. Consideremos, brevemente, como muitos "vêem" Deus em suas filosofias e doutrinas. Depois, então, voltaremos às Escrituras Sagradas, seu testemunho, e verificaremos o que Deus nos tem a dizer sobre sua própria Pessoa.

O judaísmo compreende Deus segundo a luz do Antigo Testamento, possuindo, dessa forma, muita coisa em comum com a compreensão cristã. Contudo, as profecias messiânicas estão como que "suspensas" ou espiritualizadas no Estado de Israel.

O islamismo cultua um Deus ultratranscendental com nenhum contato ou relacionamento pessoal com o homem.

O hinduísmo vê um Deus único manifestado em milhões de divindades, confundindo-se com o politeísmo e tomando emprestado noções panteístas: "Tudo é Deus, Deus é tudo".

O budismo crê em uma força impessoal, organizadora de todo o universo, que ilumina seus iniciados. Ainda muitos orientais crêem que todos os humanos se tornam iluminados após a morte, aumentando infinitamente a lista de seus deuses. Portanto, muitos dissociam a personalidade da Divindade; outros compartilham a Divindade com muitas pessoas; e ainda outros afirmam graus evolutivos de divindades.

Para sabermos realmente quem é Deus deveríamos ter em mão algum testemunho dele mesmo com uma revelação pessoal e infalível. A verdade é que temos seu testemunho registrado pelos quarenta escritores, aproximadamente, da Bíblia ao longo de cerca de 1 500 anos.

A Palavra de Deus ultrapassa questões filosóficas e culturais, e nos revela, em linguagem humana, os atributos de Deus. Podemos, então, conhecê-lo. Mas devemos tomar o cuidado de não limita-lo como homem, com características materiais, nem espiritualizá-lo como uma força universal e impessoal, e muito menos como uma lei, como algo abstrato.

Apesar da globalização, o mundo ocidental mantém conceitos culturais e filosóficos bem diferentes dos orientais. Portanto, diferentes questões filosóficas "fermentam" discussões entre céticos e liberais, buscando provas para a ausência ou mesmo inexistência de Deus. Perguntas como: "Se tudo é possível para Deus, então não haveria limites para Ele?" poderiam ser formuladas da seguinte maneira: "Se nada é impossível para Deus, então poderia Deus criar algo ou alguém maior do que a si mesmo?". Ou: "Se tudo é possível para Deus, por que, então, Ele não resolve a questão do mal?".

Logo, se Deus não pode fazer algo assim, a solução seria que: ou Ele é limitado ou realmente não existe!

AS ESCRITURAS - ÚNICA BASE PARA CONHECERMOS A DEUS

Em Marcos 10.27, lemos que "para Deus tudo é possível". Contudo, não podemos ler essa passagem num contexto de filosofia delirante - é necessário compreender que Deus é soberano e está numa posição insuperável, nada poderia ser feito ou criado igual ou acima dele mesmo. Mas isso, de nenhuma forma, "limita" o Senhor Deus. Encontramos, sim, um desequilíbrio na afirmação filosófica que usa critérios humanos para figurar a Divindade.

Eis aí a chave para tantos erros doutrinários nas seitas e nas reflexões de pensadores liberais. O uso de um critério humano, material e temporal para compreendermos a Deus causa inúmeras distorções! Como poderemos compreender Deus? Somente mediante sua revelação. Se alguém rejeita a Bíblia como a Palavra de Deus está fechando os olhos para a única e exclusiva fonte que pode ajudá-lo a saber de fato quem é Deus.

Somente por meio das Escrituras podemos encontrar informações precisas que esclareçam nossas dúvidas legítimas, pois elas são realmente a Palavra de Deus. As Escrituras nos ensinam que Deus é uma Pessoa real que possui atributos, alguns ímpares e outros, compartilhados com sua criação. Em sua soberania e sabedoria, Deus jamais pode ser comparado ao homem. Seus pensamentos (os de Deus) são incomparavelmente superiores aos da sua criação, quer seja celestial ou humana. "Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Is 55.9).

Além dessa disparidade entre Deus e sua criação, Deus é absoluto! Sua justiça e imparcialidade são infalíveis, e não podem ser comparadas com os critérios humanos. Outro aspecto que deve ser observado é a abrangência do conhecimento de Deus; enquanto julgamos pelo que vemos e pelo que ouvimos, Deus "não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos" (Is 11.3). Deus não vê como o homem vê: "O homem vê o exterior, porém o SENHOR o coração" (1 Sm 16.7).

Portanto, as Escrituras nos ensinam que os critérios e os julgamentos de Deus são absolutamente superiores aos nossos critérios, julgamentos, opiniões e pensamentos. Se temos sede de justiça, certamente Deus fará justiça, não segundo os critérios humanos. A Palavra de Deus profetiza: "Até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então, o deserto se tornará em campo fértil, e o campo fértil será reputado por um bosque; e o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fértil. O efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança, para sempre" (Is 32.15-17). Isso significa que existirão novos céus e nova terra com um governo justo e eterno - e estamos aguardando esse reino (Is 65.17; 2Pe 3.13).

Podemos estar certos de que a existência de Deus está comprometida com a justiça imparcial. Aqueles que se adiantam hão de reconhecer o seu erro.

ANTROPOMORFISMO

É tão difícil compreender Deus quanto compartilhar um sabor para alguém que nunca provou determinado prato ou fruto. Para ultrapassar essa barreira, Deus usou o antropomorfismo para se expressar (antropomorfismo: linguagem que usa a forma humana para explicar os atributos invisíveis de Deus). Por meio dessa linguagem, temos um antegosto do que conheceremos na eternidade: "Porque, agora, vemos como em espelho, em enigma; mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido" (l Co 13.12).

Deus possui atributos conhecidos por sua revelação: a Bíblia. Esses atributos devem ser compreendidos respeitando os limites de nossa linguagem e capacidade de entendimento. Talvez poderíamos ilustrar o grande abismo entre Deus e a humanidade comparando o homem e o animal. O animal tem algum instinto que reflete a qualidade humana do amor, como, por exemplo, o cuidado que os pássaros têm com seus filhotes. Contudo, a complexidade do amor humano é incomparável ao instinto dos animais. Semelhantemente, temos o atributo de justiça, mas quantas vezes falhamos em nossos julgamentos. Ainda que conheçamos os fatos, o nosso poder para analisá-los e para conhecer a complexidade do sentimento humano é limitado.

Deus possui atributos comunicáveis, isto é, que podem ser compartilhados com sua criação inteligente. Esses atributos são mais fáceis de entender quando temos algum conhecimento prático deles. Mas Deus possui ainda atributos incomunicáveis, ou seja, atributos que a criatura não tem ou não pode ter. Sendo assim, podemos compreender apenas superficialmente tais atributos. Por isso a nossa necessidade de estudarmos teologia.

No próximo artigo, consideraremos os atributos de Deus. Conheceremos os conceitos dos atributos comunicáveis de Deus e dos atributos incomunicáveis, aqueles que somente Ele possui. Então, não deixe de ler o nosso estudo!

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A expressão mais profunda e paradoxalmente simples a respeito de Deus foi proferida por Jesus "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (Jo 4.24). Está envolvido nessa proposição o fato de que Deus é imaterial, ou seja, nenhuma das propriedades da matéria pode ser-lhe atribuída. Além disso, está posto que o ser humano pode interagir com Deus. Duas verdades que nortearão nosso terceiro estudo sobre Deus.

As religiões e filosofias pagãs têm feito afirmações sobre Deus que levam a conceitos extremos e não podemos cair nos erros extremistas do paganismo. Alguns afirmam que Deus é transcendental de tal magnitude que jamais poderemos conhecê-lo, ou que, por outro lado, está tão presente que Ele mesmo seja a matéria existente. O deísmo e o panteísmo são extremos opostos. O cristianismo concorda que Deus possui atributos que jamais poderemos experimentar, portanto, não o compreendemos. Contudo, sendo Ele (Deus) uma Pessoa, pode interagir com sua criação. Essas são as premissas de nosso estudo: se Deus é Espírito, então jamais poderíamos conhecê-lo mediante nossos próprios recursos, o que é a mais pura verdade. Contudo, o Senhor Deus se revelou a nós, e isso não pode ser negado, pois, para tanto, o Senhor Deus usou seus próprios recursos!


Deus é Espírito

Ao revelar-nos que Deus é Espírito, as Escrituras definem que não podemos designar nenhum atributo humano ou material à essência divina; não podemos usar ferramentas humanas ou materiais para mensurá-lo. Qualquer alusão a Deus ou à Trindade, em termos humanos ou materiais, seria apenas uma analogia limitada, um antropomorfismo, conforme estudamos no artigo anterior. A palavra espírito (xrw, pneuma)¹ significa ar em movimento, fôlego; símbolos da natureza invisível, mas real². Tais palavras, quando aplicadas a Deus, indicam a realidade de sua existência e, portanto, sua transcendência. Já notamos então que o Senhor Deus difere de sua criação. Assim, podemos somente ter uma idéia de Deus conforme Ele próprio esboce para nós. Voltemos às Escrituras para ouvir o que o Senhor Deus diz de si mesmo.


Eternidade bem presente

A infinidade de Deus quanto ao espaço é chamada onipresença e quanto à duração é chamada eternidade. Para Deus não há nenhuma dificuldade entre o passado, o presente e o futuro - "de eternidade a eternidade, tu és Deus" (SI 90.2). "... Mas tu és o mesmo..." (SI 102.25-27). A eternidade está aos seus pés (Is 57.15). O que essas passagens e outras ensinam é que Deus está sobre ou fora do tempo, isto é, não recebe nenhuma influência dele, antes, governa sobre o tempo. Deus conhece todas as coisas - ... não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam..." (Is 46.9,10).

Enquanto Deus é imutável, sua criação tem mudado.


Onipresença. Deus está em todos os lugares, mas Ele não é todos os lugares

Deus é onipresente, isto é, não é limitado ao espaço físico. Mas Ele não é tudo o que existe, conforme afirma o panteísmo. Os céus e a terra, e tudo o que neles há, são obras de suas mãos, e não extensão de si mesmo, pois, antes de criar todas as coisas, Ele sempre existiu (Gn 1.1). Há uma diferença entre estar presente e habitar, segundo as Escrituras nos ensinam. Como nada pode fugir à presença de Deus (Sl 139.7-10) ou estar fora de seu controle (Jr 23.23-24), o mundo ímpio não pode esconder-se de Deus. Contudo, Deus habita somente com sua Igreja, com aqueles que o buscam verdadeiramente (Is 66.1-4).


Onipotência. Deus está no controle de toda a sua criação

O panteão pagão é limitado e depende de ferramentas para fazer qualquer coisa. Cada Deus pagão está relacionado a uma especialidade ou elemento natural (água, fogo, terra, ar) e seus derivados. São como os super-heróis das histórias infantis. O Deus verdadeiro não! Ele não depende de circunstâncias, ferramentas ou bom tempo para agir. O Senhor Deus apenas fala e sua palavra não volta vazia (Is 55.11). "Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (Hb 11.3). Depois de ter criado tudo, o universo e a terra e todas as coisas, não se cansou (Is 40.26-28).


Onisciência. Conta o fim primeiro

Deus não somente exerce controle sobre todas as coisas criadas como também tem conhecimento de todas as coisas, e até mesmo de suas variáveis - chamamos esse atributo de onisciência. Ele não precisa conjecturar, arriscar. Não está em constante progresso e nem mesmo alcançou algum progresso, pois Ele é conhecedor de todas as coisas, de eternidade a eternidade. Ele é o mesmo (Is 48.12). A obra de Deus geralmente é mencionada nas Escrituras como tendo lugar antes da fundação do mundo (Mt 25.34; Jo 17.24; Ef 1.4; 1 Pe 1.20; Ap 13.8). O Senhor Deus tem um conhecimento universal, global e pessoal. Isso é visto no ministério de Jesus, quando Ele falava às pessoas, pois demonstrava ter conhecimento amplo a respeito de todos (Jo 2.25,13.19,14.29). Aliada à sua onisciência, sua sabedoria, que não é experimentada ou adquirida através do tempo ou da pesquisa. O Senhor Deus é sábio, e tudo o que Ele faz é bom porque é feito com sabedoria.


Soberania. Reis dos reis

A soberania de Deus é também um de seus atributos? Sim. A Ele cabe o direito de governar o Universo. Uma vez que criou todas as coisas, sustenta todas as coisas, e conhece todas as coisas, e cabe a Ele o direito de orientar e governar sua criação. Sua criação é ampla e multiforme, o que indica que nós também podemos ser diferentes sem comprometer a ordem das coisas. O ideal humano coincide com o ideal de Deus. As duas leis que governam o reino de Deus são bem conhecidas, embora pouco praticadas: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mc 12.29-31).

Nenhuma criatura poderá compartilhar os atributos incomunicáveis de Deus. Ainda que alcancemos o arrebatamento ou a ressurreição, jamais alcançaremos os atributos de Deus. Mesmo que tenhamos um reflexo desses atributos, não o teremos em sua totalidade. Possuímos algum poder ou força, temos adquirido algum conhecimento e sabedoria, temos exercido alguma autoridade. Contudo, jamais conseguiremos progredir como deuses. A diferença entre Deus e a humanidade é uma questão de natureza. A natureza divina é absoluta e soberana; a natureza humana é finita, conseqüência da criação, e distinta da natureza divina. No entanto, existem atributos que a Divindade compartilha conosco, e somos incentivados a prosseguir no aprimoramento desses atributos comunicáveis. Como Pessoa, Deus quer se revelar pessoalmente a nós - e essa manifestação nos transforma. Falaremos sobre isso no próximo artigo.


Nota:

1. Palavra espírito em hebraico e grego.

2. Uma palavra de cautela, as testemunhas-de-jeová copiaram esse mesmo argumento, contudo, afirmam que essas palavras devem ser entendidas espiritualmente quando aplicadas a Deus e literalmente quando aplicadas ao espírito humano - uma afirmação arbitrária.

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Deus é uma pessoa e, como tal, se relaciona com os seres humanos que criou. Esse relacionamento somente é possível porque Deus compartilha alguns atributos com sua criação. A narração da criação do homem contém informações importantes para entendermos o que o Senhor compartilhou com sua criação.

Vejamos, então:

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra" (Gn 1.26).

O Dicionário Internacional do Antigo Testamento faz o seguinte comentário sobre a expressão imagem e semelhança: "O vocábulo `semelhança', ao invés de limitar a palavra `imagem', na verdade desenvolve esta última e especifica seu sentido. O homem não é apenas uma imagem, mas uma imagem de semelhança Ele não é apenas representativo, mas representação. O homem é o representante visível, corpóreo, do Deus invisível, incorpóreo. A palavra semelhança assegura que o homem é um representante adequado e fiel de Deus na terra".¹

O foco não está nos traços físicos e materiais, mas nos traços que somente o homem possui: a pessoa, coisa impossível aos seres (animais) irracionais. A capacidade de representação do homem como pessoa, de interagir com o Criador, é que está em foco. Embora os animais possam ser usados para representar os atributos da Divindade (Ez 10.14), somente o homem pode representar a Pessoa de Deus. Além disso, para que o homem possa representar a Deus é necessário que receba os atributos comunicáveis de Deus. E isso só pode ocorrer por meio de uma profunda comunhão.

Ao nos voltarmos para Jesus como o homem perfeito, verificamos que Jesus, como homem, recebeu de Deus sua perfeita vontade (Jo 5.19). Espera-se do homem que manifeste o caráter de Deus em todas as áreas de sua vida: trabalho, lazer e família.

Podemos adicionar que esse é o principal motivo para não termos objetos de escultura ou imagens de Deus; pois a criação nunca poderá representar o Criador. Se o homem não pode representá-lo fisicamente, muito menos qualquer escultura das coisas criadas. A passagem bíblica do bezerro de ouro ilustra a insensatez de fazer uma imagem com o intuito de representar a Deus. Embora tivessem usado um bezerro (indicando força ou poder) de ouro (indicando majestade), tal atitude fora rejeitada como abominação (Êx 20.4-6; Dt 4.23-24). Contudo, o ser humano - a pessoa humana - fora criada segundo a imagem e semelhança de Deus! Isso não é maravilhoso?

Então, em que sentido o homem fora criado à imagem e semelhança de Deus? Por meio dos atributos que Deus compartilhou com o homem, este recebeu a capacidade para interagir com Deus. Por isso o ser humano tem a responsabilidade de buscar a Deus, seu Criador. O que era impossível ao homem já foi realizado por Deus, que se revelou por meio das Escrituras e manifestou o plano de salvação mediante o evangelho de Cristo. Então, os meios de salvação e comunhão com Deus não estão fora do alcance humano; somos, portanto, responsáveis (Rm 10.6-11).

Devemos observar também que a verdadeira comunhão com Deus não será alcançada pelo gnosticismo, misticismo ou evolução. Alguns movimentos afirmam que somente pelo conhecimento haverá salvação. Afirmam que possuem conhecimento exato da Bíblia e são exclusivistas quanto à salvação. Outros afirmam que a salvação será alcançada pelo simples ato de esvaziar a mente e buscar o "eu" interior. Outros, ainda, afirmam que o ser humano pode chegar a ser um deus. "Como o homem é hoje, Deus foi um dia; como Deus é hoje, o homem pode vir a ser". Tais ensinos não refletem o que Deus realmente requer.


ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS

O ser humano é formado de vários fatores: volição, personalidade, influência do meio ambiente, moralidade, entre outros. Tais fatores formam o caráter: Deus interage com o homem, formando o seu caráter no homem. Isso pode ser aplicado a uma pessoa individualmente ou a uma nação. O povo de Israel foi formado como obra do oleiro (Jr 18.6). As Escrituras contêm a Palavra que pode habilitar o homem, formando-o em um obreiro (2Tm 3.16-17). O ser humano não pode esquadrinhar profundamente o caráter de Deus, mas, apesar disso, Deus se revela ao homem. É necessário que tenhamos uma comunhão infinita e um enchimento infinito-mas nunca seremos independentes de Deus.

Os atributos comunicáveis de Deus são absolutos, isto é, completos e imutáveis, mas a assimilação do ser humano é gradual e infinita. Em Deus, cada atributo será completo; no homem, sempre parcial e infinitamente crescente. Exatamente porque percebemos esses atributos podemos e devemos buscar imitá-los. Podemos dividir os atributos comunicáveis nas seguintes categorias: mentais, morais e "belo" (existem outras categorias e subcategorias que não temos espaço para comentar).

Nos atributos mentais de Deus encontramos: conhecimento, sabedoria e fidelidade. Ele possui todo o conhecimento em um mesmo momento (Is 46.9-10). Não há outro que possa aconselhá-lo (1 Co 2.16), pois o próprio Senhor fundou todas as coisas com sabedoria (Pv 3.19). Somente Deus é fiel em absoluto, não podendo negar-se a si mesmo (2Tm 2.13; Ap 19.11). Embora não alcance o absoluto, o ser humano percebe esses atributos e eternamente receberá de Deus exemplo e instrução. Deus é fiel a si mesmo e não há outro. Devemos ser fiéis a ele para que possamos usufruir da verdadeira fidelidade, conhecimento e sabedoria.

Dentre os atributos morais podemos destacar o amor - 0precisamos amar ao próximo como Cristo nos amou (Jo 13.34); a justiça - devemos confiar nele toda a justiça (Tg 1.20; Jr 20.12); e a santidade - é necessário buscarmos a santidade em nossos relacionamentos com Deus, com a família e com o próximo (Lv 203;1Pe 1.16). A santidade não é apenas um ascetismo particular, mas uma prática social.

Incluiremos também entre os atributos o "belo" (aquilo que é bom) porque foi buscado pela filosofia grega como sendo o grande ideal humano. E hoje, também, é alvo do consumismo insaciável. O que desejamos é demonstrar que o "belo" como um atributo de Deus é absoluto e verdadeiro. Diferente das filosofias do ideal humano e do consumismo que são egocêntricos, o "belo" de Deus é altruísta. A humanidade tem caminhado diametralmente oposta ao conceito que Deus tem sobre o "belo". Desde o princípio, todas as coisas criadas por Deus são boas. "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom" (Gn 1.31). Ele não criou para si mesmo, mas para nós. Ele não precisa se alimentar, contudo criou para nós uma variedade de frutas e alimentos. Sua obra é altruísta.

O alvo cristão é refletir sobre os atributos comunicáveis de Deus. Esses atributos foram demonstrados em Cristo. Então, temos um excelente exemplo. Não se trata apenas de exemplo, pois, por meio do Espírito Santo que habita no salvo, o caráter de Cristo pode e deve ser desenvolvido. E isto vem pelo ouvir e praticar a Palavra de Deus (Rm 10.17).

No próximo e último estudo sobre teologia (doutrina de Deus) examinaremos um dos assuntos mais sublimes das Escrituras e o mais disputado pelas seitas: a Trindade. Falaremos a respeito do relacionamento interno das Pessoas da Trindade e como essa doutrina é revelada no Antigo e no Novo Testamentos. Não perca!


Nota

1 Editora Vida Nova. Edição 1998. p. 316.

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Visto que a doutrina da Trindade é atacada por muitas seitas e deturpada com muitas heresias, é necessário entendermos o seu significado. Aqueles que crêem na Trindade são chamados de trinitarianos ou trinitários. Para os trinitarianos, o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três deuses, como interpretam muitas seitas. Aqueles que criticam a doutrina da Trindade dizem que ela afastou a adoração sob o aspecto do monoteísmo primitivo. Deus não é dividido em três partes, mas são três pessoas distintas, sendo que cada uma delas tem o mesmo poder separadamente. Todavia, o fato de serem três pessoas não significa que são três deuses.

A doutrina da Trindade é malcompreendida entre os círculos cristãos e, devido à complexidade do termo, seu estudo é abandonado. O vocábulo trindade é usado para expressar duas opiniões diferentes. Ou seja, refere-se à tríplice manifestação de Deus, mas também ao seu modo triúno de existir. Devemos entender que esses conceitos podem causar confusão quando proferidos por uma só palavra. Tão grande é a diferença de definição entre elas que daremos a cada conceito um nome próprio.

TRIUNIDADE E TRINDADE

Trindade é um termo técnico, não se encontra na Bíblia, como muitas outras palavras. É o caso de palavras tais como: Hamartiologia, Paracletologia e Cristologia. Todavia, suas doutrinas são largamente ensinadas.

A palavra trindade significa a tríplice manifestação de Deus ou a sua manifestação no Pai, no Filho e no Espírito Santo. A palavra triunidade conceitua a existência das três pessoas em um único Deus. Dessa forma, existe em Deus três personalidades diferentes e divinas, mas iguais na natureza. Contudo, não há três deuses: há um só Deus.

A despeito desse modo triúno de Deus existir e de se revelar, o Antigo Testamento ressalta a unidade de Deus. É o monoteísmo prático, a definição de que Deus é um. A palavra unidade é invariavelmente reproduzida no Antigo Testamento. Em meio a tantas nações idólatras, que adoravam a vários deuses, fazia-se necessário persistirem fazer o povo de Israel venerar apenas um Deus. Este fato motivou o Antigo Testamento a realçar a unidade de Deus.

O Novo Testamento ensina que são três pessoas divinas, distintas, eternas e iguais subsistindo numa só essência. E também que Deus é uma Trindade simples, mas tríplice, no seu modo de existir e de se revelar.

Se as Escrituras realmente embasam estas declarações sobre a Trindade, esta doutrina deve fazer parte do ensino ortodoxo cristão e todo cristão fica obrigado a defendê-la, vigorosamente (Jd 3). Por ser uma das doutrinas mais atacadas pelas seitas, por isso mesmo prosseguiremos abordando o tema respondendo a algumas objeções destacadas pelo grupo religioso que mais ataca esse ensinamento bíblico. Obviamente, estamos falando das Testemunhas de Jeová.

A TRINDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

a) Gênesis 1.26,27

Chegando o momento de criar o homem, Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança". O verbo "fazer", neste caso, aponta para um ato criativo, e somente Deus pode criar. Assim, ao ser criado, o homem não poderia ter a imagem de um anjo ou de qualquer outra criatura, mas a imagem de Deus, a imagem de seu Criador. No versículo 27, lemos: "E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". O interessante, porém, é que a Bíblia diz que Jesus Cristo também criou todas as coisas, as visíveis e as invisíveis (Jo 1.1,3; Cl 1.16,17; Hb 1.10), o que inclui necessariamente o homem. Desse modo, concluímos, à luz da Bíblia, que Jesus é o Criador do homem, logo, o homem carrega a imagem de Cristo, pois Jesus é Deus, uma vez que "à imagem de Deus" o homem fora criado. Já em Jó 33:4, Eliú declara: "O Espírito de Deus me fez". Indagamos; afinal de contas, quem fez o homem? A Bíblia diz: "E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou". E quem é este Deus? Resposta: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É digno de nota que há outros textos em que Deus fala no plural: Gênesis 3.22;11.7-9; Isaías 6.8. Alguns dizem tratar-se de plural de majestade, ou seja, é uma forma de expressão na qual o indivíduo fala do plural que não revela necessariamente uma pluralidade participativa. Todavia, isto não funciona em Gênesis 1.26,27, pois outros textos bíblicos deixam claro que o Pai, o Filho e o Espírito Santo criaram o homem; logo, não está em jogo nenhum plural de majestade, mas um ato criativo de Deus, ou seja, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Os demais textos, portanto, devem ser interpretados seguindo-se essa mesma linha de raciocínio.

b) Deuteronômio 6.4

"Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová" (Tradução do Novo Mundo - versão utilizada pelas testemunhas-de-jeová). Este texto é usado para desacreditar a doutrina da Trindade, mas, ao contrário disso, é o trecho que prova que na unidade de Deus existe uma pluralidade, dando abertura à concepção trinitariana. Como assim? Na língua hebraica, existem duas palavras para expressar unidade: echad e yachid. A primeira designa uma unidade composta ou plural. Exemplo: Gênesis 2.24 diz que o homem e a mulher seriam uma (echad) só carne, ou seja, dois em um. A segunda palavra é usada para expressar unidade absoluta, ou seja, aquela que não permite pluralidade. Exemplo: Juízes 11.34 diz que Jefté tinha uma única (yachid) filha. Qual dessas palavras é empregada em Deuteronômio 6.4? Echad, que indica que na unidade da Divindade há uma pluralidade.

A TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

A revelação da Triunidade de Deus no Antigo Testamento não é tão clara quanto no Novo Testamento. Os textos bíblicos que seguem (respeitando-se os devidos contextos) mostram sempre juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Levando-se em conta que Deus é único (Is 43.10) e que ele não partilha sua glória com ninguém (Is 42.8; 48.11), é interessante notar como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são postos em pé de igualdade, coisa que nenhuma criatura, por melhor que fosse, poderia atingir, nem muito menos uma "força ativa" (agente passivo).

a) Mateus 28.19

A ordem de Jesus é para batizar em "nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". Ora, se Jesus fosse uma criatura e o Espírito Santo uma "força ativa" (como pregam as testemunhas-de jeová), seria estranho que as pessoas fossem batizadas em nome do Criador (que não divide sua glória com ninguém), em nome de um anjo, e em nome de uma "força ativa"; aliás, que necessidade há em batizar alguém em nome de uma "força"? Tudo isto só faz sentido se Jesus e o Espírito Santo forem Deus, assim como o Pai também é Deus.

b) Lucas 3.22

No batismo do Filho, estão presentes o Espírito Santo e o Pai. Como sempre, inseparáveis. Esta é uma das razões pelas quais o batismo cristão deve ser ministrado em nome das três pessoas.

c) João 14.26

Jesus fala do Espírito Santo, que será enviado pelo Pai em seu próprio nome, ou seja, no nome de Cristo.

d) 2Coríntios 13.13

Outra fórmula trinitária em que aparece o Filho em primeiro lugar com sua graça; depois, o Pai, com seu amor; e, finalmente, o Espírito Santo, com a comunhão ou participação que dele procede.

e) 1 Pedro 1.1,2

Pedro fala aos escolhidos eleitos pela presciência do Pai, santificados pelo Espírito Santo e aspergidos com o sangue de Jesus Cristo.

f) Outros versículos -Rm 8.14-17; 15.16,30; 1Co 2.10-16; 6.1-20; 12.4-6; 2Co 1.21,22; Ef 1.3-14; 4.4-6; 2Ts 2.13,14; Tt 3.4-6; Jd 20,21; Ap 1.4,5 (Cf. 4.5), além de outros.

É digno de nota que se o Filho fosse uma criatura e o Espírito Santo uma "força ativa", os dois não poderiam assumir o primeiro lugar em algumas passagens bíblicas citadas. Aliás, o que uma "força ativa" estaria fazendo no meio de duas pessoas? As testemunhas-de-jeová objetam dizendo que mencionar as três Pessoas juntas não indica que sejam a mesma coisa, pois Abraão, Isaque e Jacó (Mt 22.32), e também Pedro, Tiago e João (Mt 17.1) sempre são citados juntos; contudo, isso não os torna um. O que elas não perceberam foi o seguinte: Abraão, Isaque e Jacó tinham algo em comum: o patriarcado. Já Pedro, Tiago e João tinham em comum o apostolado. E o que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm em comum? Resposta: a natureza divina ou, simplesmente, a divindade.

O quadro a seguir nos ajudará a ver como a doutrina da Trindade originou-se das Escrituras. A lista não é exaustiva, somente ilustrativa.

Assim, finalizamos, com a graça de Deus, este estudo, com cinco artigos, sobre teologia.***

*** Nota do JesusSite: Artigo publicado em 5 partes na REVISTA DEFESA DA FÉ.
Assine esta revista! - www.icp.com.br
Márcio Souza 
Revista da Defesa da Fé, n.º 55, 56, 57, 58 e 59

sábado, 16 de junho de 2012

As quatro mensagens do profeta Ageu


   
Priorizando Deus e Seu Reino 
Ageu é um profeta do período pós-exílico (ano 520 a.C.) e exortou o povo de Jerusalém que retornara da Babilônia por decreto do imperador Ciro (539 a.C.) a reconstruir o Templo do Senhor (saqueado pelos babilônios setenta anos antes) e o calendário litúrgico – adoração, festas religiosas e os sacrifícios. A primeira leva a sair da Babilônia e chegar a Jerusalém foi chefiada por Sesbazar ( Esdras 1:5-11) e lançou a fundação do novo templo. No entanto esse primeiro projeto não foi em frente devido a dificuldades de sobrevivência do povo de Jerusalém cercada de estrangeiros hostis , pela seca e péssima colheita. Uma segunda leva de judeus vindo da Babilônia e sob a liderança de Zorobabel e Josué chegou e foram inspirados pelos profetas Ageu e Zacarias a um segundo projeto de reconstrução do Templo. O templo simbolizava a presença do Senhor no meio do seu povo, estimulando-o a seguir os mandamentos, inspirar a verdadeira adoração ao Senhor fazendo recordar a todos a aliança de Deus com Israel.

O problema no tempo de Ageu é que o povo naquela época estava mais focado em reerguer suas próprias casas (seu conforto) do que o próprio Templo (vida religiosa e de relação com Deus). Então, Deus envia quatro mensagens através de Ageu:

Primeira mensagem – Ageu 1:1-11

1 No primeiro dia do sexto mês do segundo ano do reinado de Dario, a palavra do SENHOR veio por meio do profeta Ageu ao governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, e ao sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, dizendo:2 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Este povo afirma: ‘Ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do SENHOR’ ”.3 Por isso, a palavra do SENHOR veio novamente por meio do profeta Ageu:4 “Acaso é tempo de vocês morarem em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa continua destruída?”

Eram casas de fino acabamento, provavelmente de madeiras caras talvez até as originalmente compradas para construção do templo, conforme Esdras 3:7 :7 Então eles deram dinheiro aos pedreiros e aos carpinteiros, e deram comida, bebida e azeite ao povo de Sidom e de Tiro, para que, pelo mar, trouxessem do Líbano para Jope toras de cedro. Isso tinha sido autorizado por Ciro, rei da Pérsia. Esdras 3

E Deus faz admoestação ao povo através de Ageu: 5 Agora, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram. 6 Vocês têm plantado muito, e colhido pouco. Vocês comem, mas não se fartam. Bebem, mas não se satisfazem. Vestem-se, mas não se aquecem. Aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada”.7 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Vejam aonde os seus caminhos os levaram! O Senhor indica o que o povo deveria fazer para voltar a usufruir das bençãos de Deus:8 Subam o monte para trazer madeira. Construam o templo, para que eu me alegre e nele seja glorificado”, diz o SENHOR.

A Repreensão.

9 “Vocês esperavam muito, mas, eis que veio pouco. E o que vocês trouxeram para casa eu dissipei com um sopro. E por que o fiz?”, pergunta o SENHOR dos Exércitos. “Por causa do meu templo, que ainda está destruído, enquanto cada um de vocês se ocupa com a sua própria casa. 10 Por isso, por causa de vocês, o céu reteve o orvalho e a terra deixou de dar o seu fruto. 11 Nos campos e nos montes provoquei uma seca que atingiu o trigo, o vinho, o azeite e tudo mais que a terra produz, e também os homens e o gado. O trabalho das mãos de vocês foi prejudicado”.
A reação dos lideres e do povo - o sermão de Ageu produziu impacto forte no povo que logo iniciou a reconstrução do Templo.

12 Zorobabel, filho de Sealtiel, o sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e todo o restante do povo obedeceram à voz do SENHOR, o seu Deus, por causa das palavras do profeta Ageu, a quem o SENHOR, o seu Deus, enviara. E o povo temeu o SENHOR.13 Então Ageu, o mensageiro do SENHOR, trouxe esta mensagem do SENHOR para o povo: “Eu estou com vocês”, declara o SENHOR. 14 Assim o SENHOR encorajou o governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, o sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e todo o restante do povo, e eles começaram a trabalhar no templo do SENHOR dos Exércitos, o seu Deus,15 no vigésimo quarto dia do sexto mês do segundo ano do reinado de Dario.
Segunda mensagem – ter coragem no Senhor e promessa de paz- Ageu 2:1-9

No entanto, devido à escassez ou desperdício de recursos, a reconstrução do Templo não o deixou com a mesma glória do original como no tempo de Salomão.

1 No vigésimo primeiro dia do sétimo mês, veio a palavra do SENHOR por meio do profeta Ageu:2 “Pergunte o seguinte ao governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, ao sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e ao restante do povo: 3 Quem de vocês viu este templo em seu primeiro esplendor? Comparado a ele, não é como nada o que vocês vêem agora?

Mas Deus vem em socorro de Zorobabel e Josué para animá-los e garantir que também encherá de gloria este segundo Templo como nos dias de Salomão

4 “Coragem, Zorobabel”, declara o SENHOR. “Coragem, sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Coragem! Ao trabalho, ó povo da terra!”, declara o SENHOR. “Porque eu estou com vocês”, declara o SENHOR dos Exércitos. 5 “Esta é a aliança que fiz com vocês quando vocês saíram do Egito: Meu espírito está entre vocês. Não tenham medo”.6 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Dentro de pouco tempo farei tremer o céu, a terra, o mar e o continente. 7 Farei tremer todas as nações, as quais trarão para cá os seus tesouros,a e encherei este templo de glória”, diz o SENHOR dos Exércitos. 8 “Tanto a prata quanto o ouro me pertencem”, declara o SENHOR dos Exércitos. 9 “A glória deste novo templo será maior do que a do antigo”, diz o SENHOR dos Exércitos. “E neste lugar estabelecerei a paz”, declara o SENHOR dos Exércitos.


Terceira mensagem – apelo à santidade, consciência pura – Ageu 2:10-19

Deus conclama para que o povo tenha uma consciência pura, que o povo se santifique antes de fazer a obra do Senhor no Templo. E faz algumas perguntas:

A primeira pergunta de Deus

10 No vigésimo quarto dia do nono mês ( época em que se esperavam as primeiras chuvas que regariam a nova safra), no segundo ano do reinado de Dario, a palavra do SENHOR veio ao profeta Ageu:11 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Faça aos sacerdotes a seguinte pergunta sobre a Lei: 12 Se alguém levar carne consagrada na borda de suas vestes, e com elas tocar num pão, ou em algo cozido, ou em vinho, ou em azeite ou em qualquer comida,
isso ficará consagrado?” Os sacerdotes responderam: “Não”.

Ou seja , a santificação não é transmitida às coisas que a carne toca.

Em seguida Deus faz a segunda pergunta:

13 Em seguida perguntou Ageu: “Se alguém ficar impuro por tocar num cadáver e depois tocar em alguma dessas coisas, ela ficará impura?” “Sim”, responderam os
sacerdotes, “ficará impura.”Ageu 2

Ou seja, algo contaminado que toque algo santificado contamina o santificado.

14 Ageu transmitiu esta resposta do SENHOR: “É o que acontece com este povo e com esta nação. Tudo o que fazem e tudo o que me oferecem é impuro.15 “Agora prestem atenção; de hoje em diante reconsiderem. Em que condições vocês viviam antes que se colocasse pedra sobre pedra no templo do SENHOR? Ageu 2

Deus quer ensinar que a pureza não pode ser transferida mas a contaminação, sim. E convida o povo à santificação fazendo promessas de bênçãos.

16 Quando alguém chegava a um monte de trigo procurando vinte medidas, havia apenas dez. Quando alguém ia ao depósito de vinho para tirar cinqüenta medidas, só encontrava vinte.
17 Eu destruí todo o trabalho das mãos de vocês, com mofo, ferrugem e granizo, mas vocês não se voltaram para mim”, declara o SENHOR. 18 “A partir de hoje, vigésimo quarto dia do nono mês, atentem para o dia em que os fundamentos do templo do SENHOR foram lançados. Reconsiderem: 19 ainda há alguma semente no celeiro? Até hoje a videira, a figueira, a romeira e a oliveira não têm dado fruto. Mas, de hoje em diante, abençoarei vocês.”Ageu 2

Quarta mensagem – Zorobabel – servo davídico e anel de selar – Ageu 2:20-23

20 A palavra do SENHOR veio a Ageu pela segunda vez, no vigésimo quarto dia do nono mês:
21 “Diga a Zorobabel, governador de Judá, que eu farei tremer o céu e a terra.
22 Derrubarei tronos e destruirei o poder dos reinos estrangeiros. Virarei os carros e os seus condutores; os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada do seu companheiro.
23 “Naquele dia”, declara o SENHOR dos Exércitos, “eu o tomarei, meu servo Zorobabel, filho de Sealtiel”, declara o SENHOR, “e farei de você um anel de selar, porque o tenho escolhido”, declara o SENHOR dos Exércitos. Ageu 2

A designação de Zorobabel como “anel de selar” do Senhor cancelava a maldição pronunciada por Jeremias sobre o rei Jeoaquim e seus descendentes (Jeremias 22:24-30). A família davídica tendo sua autoridade restaurada retomava a linhagem messiânica de Judá (Mateus1:11-12). Deus assim confirmava Israel com povo eleito, reacendia as expectativas messiânicas entre o povo e garantia as promessas da aliança. Deus conclamava os judeus a terem confiança no futuro.

Boa meditação!

Autor: Jorge Wilson
fonte:http://www.ibmorumbi.com.br/intercessao/view.asp?CID=1&ID=464
via: pastor joão nogueira de lima